Tegucigalpa, 29 jul (EFE).- O novo Governo de Honduras minimizou hoje a decisão dos Estados Unidos de suspender os vistos de diplomatas de alguns funcionários do país em resposta ao golpe de Estado contra Manuel Zelaya, enquanto o presidente deposto segue na fronteira nicaraguense organizando uma resistência.

"Que ninguém se iluda com isso, que ninguém comece a pensar que o mundo está caindo", afirmou sobre a medida de Washington o ministro da Presidência, Rafael Pineda, que disse que "um visto diplomático não vale a dignidade da nação" e que "é possível viajar" aos Estados Unidos como turista.

"Todas as atividades foram retomadas normalmente e o Governo está funcionando plenamente", afirmou Pineda, tirando a importância da sanção.

Na terça-feira, o presidente interino, Roberto Micheletti, nomeado pelo Congresso para substituir Zelaya depois que este foi expulso do país pelo Exército, em 28 de junho, deu pouca importância à medida, e assegurou que não se sente afetado pela sanção, porque tem um passaporte "comum e válido".

O ex-chanceler hondurenho Guillermo Pérez-Cadalso afirmou que a suspensão dos vistos diplomáticos "não deve assustar ninguém" e que é "uma maneira até suave de aplicar algum tipo de sanções", já que os afetados não podem entrar nos Estados Unidos como funcionários, "mas como cidadãos podem".

O grupo de Zelaya considerou a medida insuficiente para assustar o Governo de Micheletti.

Zelaya, a partir do município nicaraguense de Ocotal, próximo à fronteira com Honduras, considerou que a decisão de Washington é um "sinal e um gesto de que não aceita os golpes de Estado", mas pediu ações mais fortes contra os golpistas, concretamente o embargo às contas nos Estados Unidos.

Em Tegucigalpa, o deputado Marvin Ponce, do Unificação Democrática (UD), um pequeno partido de esquerda que apoia Zelaya, assegurou que "são medidas mornas".

Ponce, dirigente da Frente de Resistência contra o Golpe, também exigiu reações "mais contundentes" dos Estados Unidos, como uma suspensão do comércio com Honduras no marco do Tratado de Livre-Comércio que Washington assinou com a América Central.

O legislador participou hoje de uma manifestação na capital contra o golpe de Estado, à qual compareceram cerca de 500 pessoas e que terminou em um centro comercial, que teve que fechar as portas perante a chegada dos manifestantes.

Ponce afirmou que a partir da semana que vem o grupo dará por esgotada a via diplomática para conseguir a restituição de Zelaya no cargo e que serão colocados "outros tipos de mecanismos, de golpes aos grupos econômicos", como a tomada de portos, aeroportos e outras infraestruturas.

Na zona fronteiriça com a Nicarágua, o protagonismo ficou com a mulher do líder deposto, Xiomara Castro, que na terça-feira desistiu de se reunir com o marido, apesar de uma ordem judicial que permitia que ela atravessasse a fronteira com parte de sua família.

Ela alegou falta de garantias de que depois pudesse retornar e a recusa de que pudesse ser acompanhada por mil pessoas.

Em entrevista à "Televisión Estatal de Venezuela" ("VTV"), Xiomara denunciou uma suposta intimidação por parte de civis e policiais aliados aos "golpistas", com disparos esta madrugada contra o hotel onde estava hospedada, na localidade de El Paraíso.

Representantes das empresas privadas da área pediram para que ela deixe a cidade pelo prejuízo econômico que estão sofrendo pelo toque de recolher que vigora em vários municípios fronteiriços desde sexta-feira.

Por outro lado, o Acordo de San José, proposto pelo presidente costarriquenho, Óscar Arias, para resolver a crise política em Honduras sofreu um revés no Supremo Tribunal Eleitoral hondurenho, que declarou inconstitucional o ponto referente à antecipação das eleições gerais de 29 de novembro.

No entanto, uma decisão sobre a mudança de data do pleito depende do Congresso, que deve se pronunciar sobre outras propostas do plano, como uma anistia de crimes políticos, cuja resposta se espera para amanhã. EFE lam/db

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