Germán Reyes. Tegucigalpa, 27 set (EFE).- O Governo de fato de Honduras colocou ainda mais tensão em suas relações com a comunidade internacional ao impedir a entrada no país de três funcionários da Organização dos Estados Americanos (OEA) e dois da Embaixada da Espanha, em um dia no qual se denunciou uma nova vítima fatal como consequência da crise política.

O Governo interino de Roberto Micheletti afirmou hoje que impediu a entrada no país de três funcionários da OEA porque "não era este o momento processual oportuno" e já estavam advertidos.

"Correram o risco de entrar ou não entrar, já estavam advertidos que não seria permitido", afirmou o chanceler do Executivo de fato, Carlos López, que no entanto explicou que permitiram a passagem de um quarto diplomata vinculado ao processo de mediação impulsionado pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias.

López também insistiu em que a Embaixada do Brasil perderá seu status diplomático em 10 dias se não definir a situação em que se encontra o presidente deposto, Manuel Zelaya, que na segunda-feira passada apareceu nela ao retornar ao país quase três meses após seu afastamento.

"O privilégio (do Brasil) de ter uma missão em Honduras termina em 10 dias por reciprocidade, mas isso não é um elemento para dizer que o senhor Zelaya fica na rua ou que fica aberto para uma intervenção para capturá-lo", disse em entrevista coletiva López.

Ele assegurou que os 10 dias dados ontem à noite ao Brasil para que esclareça e resolva a situação de Zelaya não é um ultimato, mas "um prazo de cortesia".

"As relações estão quebradas desde sábado, quando foi emitido o comunicado, mas está sendo dado um período moderado de cortesia internacional para que os funcionários possam entregar suas carteiras (...) para ir embora", disse López.

O chanceler acrescentou também que não acredita que o embaixador espanhol em Tegucigalpa, Ignacio Rupérez, nem outros embaixadores assumam o risco de retornar a Honduras para ver que sua entrada não lhes será permitida.

No documento divulgado na noite de sábado, o Governo golpista informou que não receberia os embaixadores da Espanha, Argentina, Venezuela e México.

A respeito, Zelaya disse à "Rádio Globo" que é "lamentável" que se tenha impedido a chegada ao país dos três funcionários da OEA.

"Isso é lamentável porque fecham as portas à comunidade internacional para o diálogo", acrescentou Zelaya, que desde a Embaixada do Brasil insiste em que a busca de uma saída dialogada da crise.

A crise política em Honduras ficou mais tensa a três meses da derrocada de Zelaya, enquanto a resistência popular contra o golpe de Estado denunciou hoje a morte de uma universitária por causa da inalação de gás lacrimogêneo nos arredores da Embaixada do Brasil.

Em uma missa oficiada na missão diplomática brasileira pelo sacerdote Andrés Tamayo, este informou a meios de imprensa locais de imprensa que no sábado morreu a jovem Wendy Elizabeth Ávila.

O corpo de Wendy era velado neste domingo na sede do Sindicato de Trabalhadores da Indústria da Bebida e Similares, cuja sede se encheu de membros da Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado que exige a restituição de Zelaya no poder.

O presidente deposto reiterou hoje que "o diálogo" é a única saída para a crise política de seu país e que sua vida continua correndo perigo.

Zelaya destacou que o povo representado na resistência popular "não tem armas" e qualificou o prazo que o Governo de fato de Micheletti deu ao Brasil como uma ameaça a ele e ao próprio Brasil.

A situação nos arredores da Embaixada do Brasil continua sendo tensa por causa da presença de centenas de policiais e militares que bloquearam todas as ruas de acesso à delegação. EFE gr/ma

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