Governo de Chávez convoca manifestação em meio a fortes críticas da oposição

Caracas, 19 set (EFE).- O Governo venezuelano convocou hoje manifestação para apoiar a decisão de expulsar do país dois representantes da organização pró-direitos humanos Human Rights Watch, em meio a críticas da oposição e aplausos por parte dos simpatizantes do presidente Hugo Chávez.

EFE |

O ministro da Informação venezuelano, Andrés Izarra, anunciou que as vozes de aprovação à medida seriam ratificadas com uma passeata vespertina até o palácio presidencial, a qual convocou depois de acusar a HRW de fazer parte de um "plano para gerar um golpe" contra Chávez e inclusive perpetrar "um magnicídio" contra o líder.

"O plano está em andamento", e a ONG "é só um dos atores" do complô, uma "organização de fachada dos Estados Unidos para intervir nos países", afirmou Izarra, ao convocar a manifestação.

Izarra insistiu em garantir uma manifestação "para que o povo apóie" a expulsão, sem precisar se Chávez falará a seus seguidores.

O Governo de Chávez expulsou na quinta-feira à noite o diretor e o subdiretor para o continente americano da HRW, o chileno José Miguel Vivanco e o americano Daniel Wilkinson, horas depois da apresentação, em Caracas, de um relatório do grupo com críticas ao Executivo.

O relatório da HRW, de 267 páginas, intitulado "Uma Década de Chávez: Intolerância Política e Oportunidades Perdidas para o Progresso dos Direitos Humanos na Venezuela", analisa o impacto da atual Presidência nos tribunais, nos meios de comunicação, nos sindicatos e na sociedade civil.

Destaca que em dez anos de gestão, o "suposto compromisso" democrático de Chávez é "contraditório com o desprezo" às "garantias institucionais e de direitos fundamentais" que lhe foram atribuídos.

"Particularmente sério é o enfraquecimento sistemático das instituições democráticas", embora a "Venezuela não seja o país onde mais se violam os direitos humanos na região", afirmou Vivanco, citando Colômbia e Cuba.

Uma nota da Chancelaria venezuelana indicou que a expulsão foi decidida "com base nos valores constitucionais de defesa da soberania nacional e da dignidade do povo venezuelano", e indicou que Vivanco e Wilkinson entraram esta semana no país com visto de turistas.

Sobre sua expulsão e os fatos que a cercaram, Vivanco disse: "Não nos surpreendeu. O Governo atuou com dureza, desqualificando-nos, como faz com todo mundo".

"Chamaram-nos de marionetes dos Estados Unidos, conspiradores, mas isso é uma rotina conhecida, embora não imaginássemos a força com a qual nos tiraram do país", disse.

Segundo relatou, ele e Wilkinson saíram para jantar com jornalistas e, ao voltarem ao hotel Meliá, onde estavam hospedados, a Polícia os aguardava e acusou os dois de "intromissão nos assuntos internos da Venezuela", não deixando que fizessem nem uma ligação, sequer para a embaixada chilena em Caracas.

"Disseram-nos que estávamos sendo expulsos e que nada era negociável", em resposta a um pedido que fizeram aos policiais para que lhes permitissem entrar nos quartos e retirar a bagagem.

Acrescentou que um oficial disse que as malas já estavam prontas, mas ficaram com seus celulares. Vivanco contou que lhe devolveram o seu sem bateria e o de Wilkinson com a bateria quebrada.

"Tiraram nossos aparelhos BlackBerry com violência. Houve uma resistência. Estavam fortemente armados, mas não chegaram a apontar as armas para a gente", contou.

Depois, eles foram levados ao aeroporto, onde embarcaram em um vôo da Varig rumo a São Paulo.

"Percebemos que o destino era o Brasil quando entramos no avião e vimos que era da Varig, mas não sabíamos se íamos para São Paulo ou outra cidade e tivemos que perguntar às pessoas para onde era o vôo", disse.

A medida "evidencia uma grave intolerância do Governo", expressou hoje, em comunicado, o Fórum Penal Venezuelano, que reúne diversas organizações pró-direitos humanos do país.

O Fórum Penal Venezuelano alertou para o agravamento de uma "perseguição à dissidência" por parte de um Governo que segue "rumo a uma ruptura, a um isolamento" da comunidade internacional.

A "verdadeira razão" que motivou a expulsão é "o incômodo que produz nos funcionários de alto escalão a veracidade do relatório sobre o desgaste da democracia e a violação aos direitos humanos" durante a gestão de Chávez, afirmou, por sua vez, o presidente do partido democrata-cristão opositor Copei, Luis Ignacio Planas. EFE ar/fr

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