Resultado de referendo é anunciado no mesmo dia em que União Europeia adota novas sanções contra governo de Assad

O Ministério do Interior da Síria afirmou nesta segunda-feira que um referendo realizado na véspera aprovou uma nova Constituição com quase 90% dos votos. O resultado da votação é anunciado no mesmo dia em que a União Europeia (UE) adotou novas sanções contra o governo da Síria e enquanto ativistas denunciam a continuidade de ofensivas militares em áreas como Idlib e Homs.

Manifestantes protestam contra Assad na região de Damasco, na Síria
AP
Manifestantes protestam contra Assad na região de Damasco, na Síria

Ativistas disseram que 124 foram mortos na Síria nesta segunda-feira, incluindo 64 que morreram quando tentavam fugir do bairro de Baba Amr, na cidade de Homs.

De acordo com o governo sírio, 89,4% dos eleitores, ou quase 7,5 milhões entre os 8,4 milhões que votaram, disseram "sim" à nova Constituição, que propõe pequenas reformas na tentativa de encerrar a revolta popular contra o presidente Bashar Al-Assad, que começou há 11 meses.

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O Ministério do Interior afirmou que 57% dos 14 milhões de eleitores aptos a votar participaram do referendo. De acordo com o órgão, mais de 750 mil, ou 9%, foram contra a Constituição, com quase 133 mil cédulas tendo sido rejeitadas, sem especificar o motivo.

Antes mesmo antes de o resultado ser anunciado, autoridades ocidentais acusavam a votação de não ter credibilidade. "O referendo não enganou ninguém", disse o chanceler britânico, William Hague, em Bruxelas, durante uma reunião de ministros das Relações Exteriores. "Não há credibilidade em abrir postos de votação e continuar a atirar em civis."

O chanceler britânico, William Hague (esq), conversa com o chanceler holandês, Uri Rosenthal, durante reunião que determinou sanções contra a Síria
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O chanceler britânico, William Hague (esq), conversa com o chanceler holandês, Uri Rosenthal, durante reunião que determinou sanções contra a Síria

Os Estados Unidos afirmaram que o referendo é de um "absoluto cinismo". Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado, questionou também como um processo de democratização poderia ser colocado em andamento enquanto os tanques e as tropas do regime continuam disparando contra a população civil. "Nós o rejeitamos por seu absoluto cinismo", disse Nuland.

Durante a reunião em Bruxelas, a UE aumentou nesta segunda-feira a pressão contra o governo da Síria, congelando os bens de autoridades e impondo sanções contra o Banco Central do país. Os chanceleres da UE também concordaram em banir a compra de ouro, metais preciosos e diamantes da Síria, assim como todos os voos cargueiros a partir ou em direção aos países do bloco.

Os nomes das autoridades que foram alvos de sanções serão divulgados na terça-feira. A UE tinha anunciado o congelamento de bens de cem indivíduos e 38 organizações.

Nesta segunda-feira, ativistas disseram que tanques das forças de segurança lançaram ataques em áreas controladas pela oposição na Província de Idlib, incluindo cidades como Sarmin, Maarat al-Numan e Binnish. De acordo com a BBC, tropas leais ao presidente Assad estão atirando de forma aleatória, atingindo civis.

Situação humanitária

Também nesta segunda-feira, a presidente do Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU, Laura Dupuy Lasserre, disse que a situação humanitária na Síria é "crítica" e que é urgente dar assistência às vítimas da violência.

"Esperamos uma resposta positiva das autoridades (sírias) para que se possa assistir todas as pessoas afetadas", declarou, ao inaugurar a primeira sessão do ano do CDH, em referência às negociações para resgatar os feridos nas áreas mais castigadas pelos ataques das forças de segurança.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e a Sociedade do Crescente Vermelho da Síria negociam a entrada de seu pessoal para fornecer ajuda essencial aos moradores das áreas bloqueadas pelas forças de segurança, auxiliar os feridos e retirar corpos.

Durante a reunião do CDH, o ministro de Relações Exteriores da Suíça, Didier Burkhalter, condenou a violação dos direitos humanos na Síria e pediu que o governo de Assad colabore e permita o trabalho humanitário.

Com AP, AFP e BBC

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