Governo da RDC desarmará rebeldes hutus ruandeses que estão no leste do país

Kinshasa, 13 jan (EFE).- O Governo da República Democrática do Congo (RDC) anunciou hoje que desarmará as Forças Democráticas para a libertação de Ruanda (FDLR), grupo rebelde da etnia hutu ruandesa estabelecido desde 1994 no leste da RDC e causa principal do conflito que acontece desde então na região.

EFE |

As FDLR são compostas por soldados do antigo Exército ruandês e pelas milícias hutus interahamwe, responsáveis pelo genocídio realizado entre abril e julho de 1994 em Ruanda e que depois fugiram para o leste para o antigo Zaire - a atual RDC.

A intenção de "desarmar as FDLR e outros grupos armados" no leste da RDC foi anunciada ao final de uma reunião do Conselho de Ministros da RDC pelo ministro de Comunicação e Imprensa local, Lambert Mende Omalanga.

"O Governo decidiu desarmar, pela força, todos os grupos armados após analisar as causas profundas do conflito recorrente que impede o desenvolvimento da região do leste da RDC", declarou Omalanga durante a reunião, que foi presidida pelo presidente da RDC, Joseph Kabila.

Oficiais do Exército de Ruanda serão convidados pelo Governo de Kabila para fazer parte de uma missão de observação das operações de desarmamento, especificou o porta-voz da RDC.

A decisão da RDC é continuar a visita realizada no último dia 8 a Kinshasa do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Ruanda, general James Kabarebe, em acompanhamento de um pacto estipulado no dia 5 de dezembro passado entre seu país e a RDC para desarmar as milícias das FDLR.

A presença dos guerrilheiros hutus na região de fronteira motivou a participação de Ruanda na guerra civil da RDC de 1996 a 1997, conflito que terminou com a derrocada de Mobutu e novamente na de 1998-2003, que também envolveu outros quatro países da região sul da África.

O regime de Kinshasa acusa o de Kigali de estar concedendo ajuda material ao Congresso Nacional para a defesa do Povo (CNDP), grupo rebelde congolês que pegou em armas em agosto passado, mas Ruanda rejeita estas acusações.

O líder do CNDP, o general renegado Laurent Nkunda, afirma por sua parte que o Governo da RDC usa as FDLR e também duas milícias locais para exterminar a minoria tutsi da RDC, conhecida como banyamulenge, à qual ele e seus soldados pertencem, o que, ressalta, motivou sua rebelião. EFE py/fal

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