Governo da Mauritânia anuncia debate sobre calendário eleitoral

Nuakchott, 6 set (EFE).- O primeiro-ministro mauritano, Moulaye Ould Mohamed Laghdhaf, nomeado pelos militares que protagonizaram o golpe de Estado em 6 de agosto, declarou hoje que no final de setembro será lançado um debate para definir um calendário eleitoral.

EFE |

Laghdhaf disse que o debate começará depois do Ramadã (mês de jejum muçulmano) e que permitirá tomar decisões sobre as condições dos candidatos, eventuais emendas à Constituição e o papel do Exército e de outras instituições na vida política.

"Não haverá tabus neste debate livre e construtivo", do qual participarão parlamentares, partidos políticos, ONGs e organizações da sociedade civil, disse o primeiro-ministro em coletiva de imprensa.

Laghdhaf acrescentou que os debates resultarão em um plano político de "respeito entre os poderes executivo e legislativo" e as atribuições de um e outro serão definidas "com precisão".

Ele também anunciou uma abertura a todos os mauritanos, independentemente de sua tendência política, para que participem ativamente desse debate.

O primeiro-ministro ainda reduziu a importância das reações internacionais de rejeição ao golpe que derrubou o ex-presidente Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdellahi.

Segundo ele, há inclusive indícios de compreensão da situação do país, a exemplo da posição do Parlamento Europeu "que rejeitou a suspensão da ajuda à Mauritânia e fez uma chamada a uma solução pactuada".

Em 4 de setembro, o Parlamento Europeu havia aprovado uma condenação ao golpe de Estado na Mauritânia, através da qual propôs suspender as ajudas ao país e pediu a resolução das tensões.

O primeiro-ministro afirmou que as prioridades de seu Governo são a melhora da situação alimentícia, dos transportes e do saneamento na capital, Nuakchott, cujas ruas ficam intransitáveis sempre que chove.

Laghdhaf também se comprometeu a melhorar as condições de vida dos refugiados que retornaram do Senegal e a lançar um programa econômico a favor dos descendentes de escravos que vivem na Mauritânia. EFE mo/ab/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG