Governo da Malásia critica EUA por interferir em assuntos internos

Kuala Lumpur, 2 jul (EFE).- O ministro do Interior da Malásia, Syed Hamid Albar, criticou hoje o Governo dos Estados Unidos por ter feito uma advertência ao seu país, nesta semana, contra a tentativa de transformar a investigação policial sobre o principal opositor malaia, Anwar Ibrahim, em uma perseguição política.

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"Os EUA não deveriam interferir em nossos assuntos internos (...) Sempre tentam aconselhar pequenos Estados como nós, mas nunca fomos ameaçados e não nos sentimos ameaçados por eles", manifestou Syed durante um discurso no Parlamento.

O ministro declarou que a investigação aberta contra Anwar por um suposto delito de sodomia, com base nas declarações feitas à Polícia no sábado passado por um ex-ajudante, "não se trata de política, mas de um caso que demanda acusações que devem ser investigadas".

O líder estudantil Mohd Saiful Bukhari Azlan, de 23 anos, que trabalhou na equipe de Anwar, de 60 anos, durante as eleições parlamentares de março, acusou o dirigente opositor de ter sodomizado ele no último dia 26.

Anwar, que buscou refúgio na embaixada turca no domingo, não saiu até o dia seguinte quando recebeu garantias do Governo sobre sua segurança pessoal. Em 1998, ele esteve a ponto de morrer pelos maus tratos da Polícia.

O dirigente opositor disse que a acusação seria uma fabricação política para atrapalhar sua carreira e impedir que se apresente às próximas eleições.

Em um comício celebrado ontem à noite, no qual se reuniram sete mil pessoas, Anwar assegurou que tinha um álibi que provaria que a acusação feita contra ele é falsa e encorajou os presentes a derrubar a coalizão de Governo (Frente Nacional) nas urnas em 2012.

Esta é a segunda vez que Anwar é acusado de sodomia. Na primeira ocasião, há 10 anos, ele era vice-primeiro-ministro e titular de Finanças e, junto à acusação de abuso de poder, foi à prisão inabilitado para exercer cargos públicos até abril passado.

Anwar começará no próximo domingo uma viagem nacional para proclamar sua inocência, inspirada no sucesso obtido pelo comício de ontem à noite, anunciou hoje seu chefe de gabinete, Ibrahim Yaakob.

EFE snr/bm/rr

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