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Governo da Madeira afirma que número de 42 mortos era uma estimativa

Funchal (Portugal), 24 fev (EFE).- O Governo do arquipélago da Madeira disse hoje que foram encontrados 39 corpos, diferente do número de 42 mortos anunciado no domingo que considerou apenas uma estimativa, motivo pelo qual não elevou a cifra oficial, mesmo com a aparição de novos corpos após as enchentes de sábado.

EFE |

Alguns meios de comunicação portugueses tinham acusado o Governo do arquipélago português, muito preocupado com o impacto da tragédia no turismo, de tentar ocultar a magnitude do desastre ao não elevar o número total de vítimas nem reconhecer que as equipes de resgate encontraram mais corpos na segunda e na terça-feira.

Por outro lado, a secretária de Turismo e Transportes do arquipélago, Conceição Estudante, admitiu hoje que os 42 mortos anunciados no domingo eram uma "estimativa" e que na realidade ainda não foram encontrados tantos corpos.

Ontem, a secretária tinha culpado a "confusão" pela falta de atualização do número oficial de vítimas, quando os jornalistas insistiam sobre novos corpos encontrados que aparentemente não eram levados em conta pelo Governo regional.

Hoje, o Governo assegurou que o cálculo de 42 mortos se mantém, embora tenha resgatado um número inferior de corpos, porque há vítimas que ainda não puderam ser resgatadas.

Além disso, o número de desaparecidos, que caiu na segunda-feira e voltou a subir ontem, permanece hoje em 18, mas apenas "alguns deles" não estão incluídos no cálculo dos 42 mortos, disse Estudante, sem especificar quantos.

Milhares de pessoas vindas do continente trabalham nos trabalhos de limpeza e busca de vítimas na ilha, assolada pelas enchentes que no sábado arrastaram pessoas, automóveis e casas inteiras. Entre essas pessoas, estão operários públicos, bombeiros, policiais, soldados e voluntários.

A secretária tinha sido questionada com insistência pelos jornalistas em suas últimas entrevistas diárias à imprensa sobre a falta de atualização do número de vítimas, após aparecerem mais 11 corpos em várias áreas da ilha.

A secretária de Turismo argumentou que tinha se informado sobre 42 mortos no domingo à noite por causa da "análise" de campo feita pelo serviço de Defesa Civil.

Segundo ela, as autoridades enfrentavam graves problemas de comunicação e tinham que se concentrar em atender à população e restabelecer os serviços básicos na ilha.

Sobre o número de desaparecidos, Estudante tinha atribuído a queda anunciada na segunda-feira ao serem encontradas pessoas antes julgadas desaparecidas por seus familiares.

Mas nas últimas 24 horas, a apuração oficial de desaparecidos subiu de 13 para 18. Não houve explicações sobre quantas dessas possíveis vítimas se incluem também na estimativa total de 42 mortos.

O presidente do Governo regional, Alberto João Jardim, também contribuiu ao baile de números sobre as vítimas das enchentes. Ele mencionou um número ainda mais baixo de corpos, 37, horas antes de sua secretária de Turismo falar em 39.

No entanto, Estudante se mostrou convencida de que as estimativas de seu Governo "são ainda inferiores ao que deve ser na realidade".

Os peritos enviados de Lisboa não identificaram ainda todos os corpos no necrotério provisório instalado no aeroporto da Madeira, mas alguns já foram entregues às famílias, que realizaram hoje os primeiros funerais.

O presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, visitou hoje a ilha para ver pessoalmente a situação após as enchentes que atingiram a capital da Madeira, Funchal, e outras cidades próximas.

Ele destacou a resposta cívica e "a grande serenidade" mostrada pela população.

Na Madeira, a maior das cinco ilhas do arquipélago de mesmo nome, se concentra quase toda a população da região de 260 mil habitantes e com uma forte tradição de emigração, sobretudo para a Venezuela.

As perdas com as enchentes que caíram dos morros de Funchal ainda não foram calculadas, mas o Governo de Portugal anunciou hoje a abertura de uma linha de financiamento de 50 milhões de euros para ajudar na recuperação da ilha. EFE atc/sa

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