Governo da Guiné se rende e militares golpistas se consolidam no poder

Dacar - Os militares que, na última terça-feira, deram um golpe de Estado na Guiné após a morte do presidente do país, Lansana Conté, se consolidaram no poder depois que, hoje, as autoridades constitucionais e os altos comandantes das Forças Armadas que não participavam do levante se renderam.

EFE |

O primeiro-ministro da Guiné, Ahmed Tidiane Souaré, os ministros do Governo e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Diarra Camara, acompanhado de outros oficiais de alta categoria, se entregaram hoje à junta militar liderada pelo capitão Moussa Dadis Camara, segundo emissoras internacionais de rádio.

Souaré permanecia em paradeiro desconhecido desde a madrugada de terça-feira, mas manteve contato por telefone com a imprensa e, após afirmar que o Governo mantinha o controle do país, pediu à comunidade internacional para que interviesse e evitasse que a tentativa militar fosse bem-sucedida.

Camara, presidente do Conselho Nacional para a Democracia e o Desenvolvimento (CNDD), como se auto-denomina a junta militar, ordenou durante a noite de 24 de dezembro que o premiê se apresentasse junto com seu gabinete na base militar de Alpha Yaya Diallo, na capital da Guiné, Conacri.

No local, os golpistas instalaram seu quartel-general.

Camara, que foi eleito por sorteio pelos companheiros para liderar o Governo militar da Guiné, tinha dado 24 horas de prazo para que as autoridades constitucionais se rendessem e advertiu de que se estas não atendessem às exigências do CNDD, seriam "perseguidas".

Após se reunir com os dirigentes da junta militar, os oficiais que não tinham aderido ao levante militar, mas que também não ofereceram resistência em defesa do Governo, foram libertados após aceitar o novo Executivo, destacou o site "www.guineenews.org".

Segundo o portal, após ser libertado, o general Diarra Camara disse em entrevista coletiva que "o que aconteceu foi bom para o país".

"Agora podemos voltar tranquilamente e nos dedicar a preparar o funeral do general Conté", acrescentou Camara, que antes tinha afirmado que os golpistas eram uma minoria e que "a maioria dos soldados e oficiais do Exército é fiel à Constituição".

Por sua parte, outra autoridade das Forças Armadas, o contra-almirante Lamine Bangoura, afirmou que "estamos com todo o coração com o CNDD".

Além dos generais, do primeiro-ministro e dos membros de seu gabinete, o presidente do Conselho Econômico e Social do país, Lamine Kamani também se rendeu às novas autoridades e só falta o presidente da Assembléia Nacional, Aboubacar Sompare, fazer o mesmo.

Sompare, segundo estabelece a Constituição da Guiné em caso de morte do primeiro líder do país, era o funcionário que devia assumir o poder de forma interina e convocar eleições presidenciais em um prazo de 60 dias.

Camara, que até o momento do golpe era encarregado da divisão de combustíveis dentro do corpo de abastecimento do Exército guineano, atuou primeiro como porta-voz do CNDD, composto de 32 membros, entre os quais figuram 6 civis e 26 militares, incluindo um general e nove coronéis, além de vários tenentes-coronéis.

Após ser eleito líder da junta, Camara, de pé sobre um veículo militar e envolvido em uma bandeira guineana, percorreu na quarta à tarde as ruas de Conacri para ir até o palácio governamental e, no caminho, foi aclamado por milhares de guineanos, que qualificavam de "despótico" o regime anterior do país.

O CNDD prometeu inicialmente que devolveria o poder aos civis, após convocar eleições em um prazo de 60 dias, mas Camara disse depois que seu Governo deseja realizar o pleito em dezembro de 2010.

O líder golpista especificou, no entanto, que não tem intenções de concorrer nessas eleições presidenciais. EFE st/db

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