Governo da Guiné e rebeldes dizem que há normalidade no país

Dacar, 6 abr (EFE).- O Governo da Guiné-Bissau e os rebeldes que protagonizaram um levante golpista na semana passada afirmaram hoje que a situação voltou à normalidade, apesar do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, almirante José Zamora Induta, seguir preso pelos amotinados.

EFE |

Em declarações emitidas por emissoras regionais captadas em Dacar, depois de se reunir com o presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Snha; o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e o general Antonio Indjai - autoproclamado chefe do Estado-Maior das Forças Armadas - disseram que "situação foi superada" após o que qualificaram de "incidente".

Ambos afirmaram que, após a crise da quinta-feira passada, as instituições do país voltaram a funcionar com toda normalidade.

O primeiro-ministro disse que o conflito foi superado graças à busca de soluções pactuadas por parte dos responsáveis políticos do país. Gomes Júnior foi preso pelos rebeldes que exigiram ele renunciasse ao seu cargo.

A consequência do "incidente" foi, segundo o primeiro-ministro, a cassação do almirante Zamora Induta, substituído pelo general Indjai, cuja nomeação ainda não foi confirmada oficialmente.

Induta e outros 40 oficiais do Exército permanecem presos em uma base aérea próxima ao aeroporto de Bissau.

Tanto as Nações Unidas como a União Africana (UA) e a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), que enviaram uma missão conjunta a Bissau no domingo, condenaram a atuação dos amotinados, pediram a libertação do comando militar e afirmaram que é preciso reformar as Forças Armadas.

Uma fonte da ONU em Bissau, que pediu para não ser identificada, disse à Agência Efe que após estes movimentos dos militares resta "o problema do tráfico de drogas na Guiné-Bissau, que se transformou em um narcoestado onde se vários grupos que controlam diferentes grupos de militares se enfrentam".

Há vários anos alguns países da África Ocidental, e especialmente a Guiné-Bissau, se transformaram em plataformas de quebra para a Europa da cocaína produzida na América do Sul, segundo o Escritório da ONU contra Drogas e Crime (Unodc).

Entre os militares que foram acusados de narcotráfico está o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Bubo Na Tchuto, que foi responsabilizado por uma tentativa de golpe de Estado em 2008 contra o presidente João Bernardo Vieira, posteriormente assassinado.

Na Tchuto fugiu para a Gâmbia e se uniu ao levante na quinta-feira passada. EFE st/pb

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