Governo da Guatemala é criticado por compra de aviões e lanchas brasileiras

Grupos de defesa dos direitos humanos da Guatemala criticaram nesta segunda-feira a intenção do governo de adquirir seis aviões e 10 lanchas rápidas brasileiras para combater o narcotráfico e o crime organizado por que, na opinião deles, isso seria evidência de uma remilitarização do país.

AFP |

Calculam que o país contrairia uma dívida milionária, colocando em risco a segurança social, como a educação, a saúde e a alimentação, gerando mais pobreza, uma situação que já afeta mais de 50% dos 13 milhões de habitantes.

"O presidente está cometendo um grave erro, ele estará endividando o país e demonstrando a intenção de uma remilitarização. As Forças Armadas estão se fortalecendo de equipamentos e de recursos econômicos", disse à AFP o diretor do Grupo de apoio Mútuo, Mario Polanco.

O presidente Alvaro Colom anunciou na segunda-feira, após uma visita de três dias ao Brasil, a possibilidade de compra, antes de maio, de pelo menos seis aviões para patrulhamento e 10 lanchas rápidas brasileiras para combater o narcotráfico e o crime organizado.

"As aeronaves representam um custo baixo e podem voar em alturas baixas. São puramente para patrulhamento. Entre as lanchas rápidas, seis ficarão na costa do Pacífico e outras quatro mais próximas ao Atlântico", detalhou o mandatário.

Polanco considera que esta iniciativa do presidente Colom poderia estar influenciada pelos Estados Unidos que têm manifestado sua preocupação com a falta de combate ao narcotráfico internacional no país por onde passam, segundo a diplomacia americana, mais de 300 toneladas de cocaína por ano.

O ativista da entidade, integrada por detidos e desaparecidos durante os 36 anos de guerra que o país viveu entre 1960 e 1996, afirmou que nesta terça-feira o Congresso guatemalteco começará a avaliar um empréstimo de 100 milhões de dólares para o Exército.

Os fundos, de acordo com Polanco, serão destinados ao Instituto Militar de Previdência (IMP), que sofreu um desfalque de aproximadamente 200 milhões durante a administração do ex-presidente Alfonso Portillo (2000-2004).

Por outro lado, a ativista da Fundação Mirna Mack, Carmen Aída Ibarra, disse à AFP que o governo "tem a obrigação de intervir na segurança interna tanto quanto externa", mas sem que isso signifique uma "remilitarização e sem prejudicar o investimento social". "Há muito a ser revisto; o Congresso tem a obrigação de revisar os gastos do exército porque não é possível que em tempos de paz um exército custe tão caro", afirmou.

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