Governo da Geórgia pede que UE investigue conflito armado com a Rússia

Valência, (Espanha) 15 nov (EFE).- O vice-primeiro-ministro da Geórgia, Giorgi Baramidze, pediu hoje que a União Européia (UE) crie uma comissão para investigar o que aconteceu em agosto, quando seu país e a Rússia mantiveram um conflito armado pela região da Ossétia do Sul.

EFE |

Baramidze aproveitou seu discurso na 54ª Assembléia Parlamentar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Valência (Espanha), para exigir que a comunidade internacional, inclusive a UE, investigue a "agressão" da Rússia a seu país para que "se saiba o que ocorreu".

O vice-primeiro-ministro explicou que a comissão deve ser similar à criada no Parlamento georgiano presidida por um membro da oposição.

Insistiu na necessidade de uma investigação internacional independente que deveria ser realizada pela Otan, mas, segundo ele, a Rússia se oporia a ser membro da aliança militar, da mesma forma que se opõe a qualquer tentativa da Geórgia pela paz.

Baramidze deixou claro que a Geórgia não discrimina ninguém em função de sua etnia e que o que pretende em seu conflito com a Rússia é oferecer uma solução para o século XXI, "de traço europeu", pois seu país quer "continuar sendo um modelo de desenvolvimento democrático".

Para isto, a Geórgia necessita que os russos a "deixem em paz", enquanto os georgianos "prometem ser bons vizinhos", já que os dois países compartilham interesses de questões energética, de transporte, de luta contra o terrorismo e de segurança.

"Onde termina a Rússia começa a Geórgia", enfatizou Baramidze, que exigiu que Moscou aceite a soberania de Tbilisi, reconhecida pela comunidade internacional.

A intervenção do vice-primeiro-ministro foi recebida com duras críticas por membros da delegação russa na Assembléia Parlamentar, que pediram que a aliança militar não abra as portas que permitam o "derramamento de sangue", em alusão ao pedido da Geórgia de entrar na Otan.

Um representante russo acusou a Geórgia de perpetrar um "verdadeiro genocídio" na Ossétia do Sul, disse que a história "colocará cada um em seu lugar" e pediu que o Governo georgiano siga o plano de paz do presidente da França, Nicolas Sarkozy.

Baramidze respondeu às críticas e declarou que ainda que seu país perdesse a sanidade e cometesse estes crimes, isto não daria o direito à Rússia de "colocar a toga de juiz, emitir um veredicto e punir a Geórgia".

O vice-primeiro-ministro afirmou que o Governo georgiano está aberto a qualquer sugestão, mas "não se pode questionar a integridade territorial, que não pode ser colocada em xeque de nenhuma forma". EFE so/wr/fal

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