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Governo da Bolívia suspende temporariamente diálogo com oposição

La Paz, 12 jun (EFE).- O Governo da Bolívia anunciou hoje o adiamento do diálogo iniciado com a oposição para depois do referendo revogatório ao qual se submeterão no próximo dia 10 de agosto o presidente Evo Morales e os governadores departamentais.

EFE |

O vice-presidente Álvaro García Linera confirmou hoje, em entrevista coletiva, a decisão de "suspender temporariamente" a mesa de diálogo aberta com a oposição, um dia depois de ter ficado sem interlocutores.

García Linera impulsionava uma negociação que tentava compatibilizar o projeto de refundação constitucional de Morales com os estatutos autonomistas impulsionados pela oposição.

O fórum não contou com a presença dos governadores dos departamentos opositores de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, e nem da principal força da oposição, Poder Democrático e Social (Podemos).

Apesar dessas ausências, a mesa de negociações reunia até ontem três partidos opositores minoritários, os governadores também opositores de Cochabamba e La Paz, e os três governadores governistas, assim como o partido de Morales, o Movimento ao Socialismo (MAS).

Como mediadores assistiram ao encontro Brasil, Argentina e Colômbia, além da Igreja Católica e da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A oposição se retirou paulatinamente, até completar-se ontem a saída da União Nacional (UN, centro) e do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR, direita), dias depois do abandono dos governadores de La Paz e de Cochabamba.

No domingo passado, o chefe dos senadores do MAS, Félix Rojas, tinha anunciado que o diálogo estava suspenso até depois dos referendos autonomista.

Santa Cruz, Beni e Pando já ratificaram seus estatutos de autonomia, em referendos tachados de ilegais e separatistas pelo Executivo. Tarija pretende realizar uma votação similar no dia 22 de junho.

O vice-presidente justificou hoje a suspensão definitiva das conversas com a oposição, "para não permitir que uma mesa de diálogo tão importante seja denegrida pelo debate eleitoral necessário entre as forças políticas".

"Nos últimos dias, o cenário político nacional, de maneira normal e previsível, se 'eleitoralizou'", disse García Linera, que adiantou que "até 11 de agosto já terão acabado os debates e as tensões".

"Esperemos que para então, os governadores que não estiveram presentes até agora (...) se somem a uma vontade nacional de cumprir acordos de maneira pacífica", acrescentou.

O plebiscito revogatório foi proposto por Morales no final do ano passado, como uma possível saída para a crise enfrentada pelo país, e a oposição, que tinha bloqueado esta proposta no Senado, a aprovou de forma surpreendente em meados de maio. EFE az/gs

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