Governo cubano anuncia aumento seletivo de salário

O governo cubano fará um aumento seletivo de salário para estimular a produtividade e voltado para categorias vitais, como os médicos, de acordo com fontes oficiais, como parte da série de mudanças paulatinas realizadas por Raúl Castro desde que assumiu a presidência há dois meses.

AFP |

Uma resolução do Ministério do Trabalho, que será aplicada este ano, conforme cronograma ao qual a AFP teve acesso, prevê que o salário deve se ajustar ao desempenho do trabalhador em cada setor da economia e da sociedade, sem que se fixe um teto.

Um funcionário da área de saúde garantiu que esse será um dos setores beneficiados: "está sendo estudado um novo aumento de salário para os médicos, que pode ser aplicado nas próximas semanas, maior do que o aplicado em 2005".

Os médicos sustentam um amplo sistema nacional de saúde, totalmente público, e são a principal fonte de receita para Cuba pela venda de serviços no exterior, calculados em cerca de 6 bilhões de dólares anuais - o dobro das exportações de bens e três vezes o valor gerado pelo turismo.

Há três anos, os médicos receberam um aumento de 57 pesos (2,30 dólares), considerado "modesto" pelo então presidente Fidel Castro, já que seus salários atuais vão de 575 a 630 pesos (entre 24 e 27 dólares).

Esse aumento fez parte de uma alta que também beneficiou a educação, pensionistas e aposentados e elevou em 125% o salário mínimo (de 9 dólares).

Isso "teve pouca repercussão na produtividade", ressalta Ariel Terrero, um dos principais comentaristas econômicos da imprensa escrita local, favorável a aumentos seletivos, como estabelece a resolução do Ministério do Trabalho.

"Evidentemente, estimulará os trabalhadores. Esperemos, com otimismo, o que ainda é apenas lei", declarou o jornal "Vanguardia", da província de Villa Clara.

Em sua coluna na revista "Bohemia", Terrero avaliou que, "combinado com o imprescindível estímulo moral, o salário se transformará em um mecanismo liberador do potencial produtivo".

A crise econômica que começou em Cuba na década de 1990, após a extinção da União Soviética, desvalorizou a moeda nacional e reduziu o poder aquisitivo do salário.

Nesse contexto, muitos profissionais, altamente qualificados, deixam sua especialidade e buscam uma remuneração melhor, como taxistas, comerciantes no setor informal, ou pedreiros.

Nova administrição

Ao tomar posse, em 24 de fevereiro, Raúl Castro definiu como "um objetivo estratégico avançar de maneira coerente, sólida e bem pensada, até conseguir que o salário recupere seu papel e o nível de vida de cada um esteja em relação direta com o que ganham legalmente".

Vidal diz que o governo escolheu "uma política cautelosa" no campo salarial para não aumentar a inflação, mas acredita que alguns elementos possam ser usados para incentivar a produção.

Durante um maciço processo de análise e debate sobre a situação do país, no final de 2007, apontou-se como um dos maiores problemas o elevado preço de alimentos e bens, fora da subsidiada, mas insuficiente cesta básica.

Vidal e outros especialistas opinam que uma regulação oficial dos preços pode desestimular a produção de alimentos, motivo pelo qual se inclinam por aumentos salariais seletivos, que melhorem o poder aquisitivo.

A alta salarial se somará, assim, à distribuição em massa de terras, melhores preços aos produtores, créditos e descentralização de decisões aplicadas pelo novo governo na agricultura, em seus dois meses de gestão.

As mudanças na ilha até agora:

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