Governo corta água e luz de embaixada brasileira em Honduras

O governo interino de Honduras cortou o fornecimento de água, luz e telefone da embaixada do Brasil na capital Tegucigalpa, onde está refugiado desde segunda-feira o presidente deposto do país, Manuel Zelaya. A assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores disse à BBC Brasil que o corpo diplomático brasileiro teve que pedir ajuda à embaixada norte-americana tanto na questão da segurança como para o abastecimento de diesel, necessário para manter em funcionamento os geradores de energia.

BBC Brasil |

Além de Zelaya, estão no prédio o encarregado de negócios da embaixada brasileira, diplomata Francisco Catunda Rezende, quatro funcionários brasileiros e cerca de 60 pessoas, entre simpatizantes e membros do gabinete do governo deposto.

A representação brasileira em Tegucigalpa permanece cercada por militares hondurenhos desde o início da manhã desta terça-feira.

Também na manhã desta terça, milhares de simpatizantes do presidente eleito que se concentravam no lado de fora da embaixada foram expulsos do local com disparos e bombas de gás lacrimogêneo.

Em entrevista ao canal de TV estatal da Venezuela, Manuel Zelaya afirmou que três manifestantes teriam sido mortos e outros 300 teriam sido presos nos conflitos. As informações, no entanto, não puderam ser confirmadas de maneira independente.

Apesar da pressão militar, a vice-chanceler do governo interino de Honduras, Martha Alvarado, disse que o Exército não pretende invadir a sede diplomática brasileira.

"Não é possível (invadir), há convênios e nós respeitaremos a sede diplomática", declarou Alvarado à imprensa. "Além disso, isto nos traria ainda mais problemas", acrescentou.

Confrontos
A ministra da Mulher do governo deposto de Honduras, Dóris López, que está com Zelaya dentro da embaixada, disse à BBC Brasil que bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas no interior do prédio da representação brasileira por volta de 5h30 da manhã desta terça-feira (8h30 em Brasília).

"Nos jogamos no chão, esperando passar o ataque, foi uma cena de terror", afirmou.

Do lado de fora, Rafael Alegria, um dos dirigentes da Frente de Resistência Contra o Golpe, disse ter sido perseguido por oficiais logo depois que o Exército desalojou a manifestação pró-Zelaya que se concentrava nos arredores da embaixada brasileira.

"Estou escondido em uma casa, nos livramos por pouco", disse.

Alegria disse que dezenas de pessoas ficaram feridas nos confrontos com os militares hondurenhos. O dirigente social afirmou ainda que centenas de pessoas foram detidas e que estariam sendo levadas para um campo de beisebol no centro da capital Tegucigalpa.

"Os que foram presos estão sendo levados a um campo de beisebol, que se tornou um campo de concentração dos militares, ali está passando de tudo", afirmou. "Entramos em uma etapa extremamente crítica".

Segundo Alegria, os manifestantes buscam um lugar seguro para "reorganizar a resistência".

Emissora
O canal de TV 36, única emissora favorável ao governo de Zelaya em Honduras, teria tido suas antenas de retransmissão queimadas com ácido, segundo afirmou seu diretor, Esdras Amado López, em entrevista ao canal de televisão patrocinado pelo governo venezuelano Telesur.

Ainda segundo López, o serviço de energia elétrica do canal também foi cortado.

"Recebemos ameaças, fomos vítimas de agressões, nossos transmissores foram destruídos com químicos potentes, nos jogaram bombas de gás lacrimogêneo e as pessoas que trabalham nas estações de retransmissão foram detidas", disse López.

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