Governo colombiano rejeita proposta das Farc em reunião da Unasul

Participação de guerrilha em assembleia do órgão foi condicionada à libertação de reféns e ao fim do terrorismo

iG São Paulo |

O governo colombiano rejeitou nesta segunda-feira a proposta das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) de expor a países da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) sua visão sobre o conflito na Colômbia. O vice-presidente da Colômbia, Angelino Garzón, disse que as Farc devem liberar todos os reféns mantidos pelo grupo "incondicionalmente" e abandonar o terrorismo se quiserem inciar negociações de paz com o novo governo do presidente Juan Manuel Santos.

O vice do país recusou ainda a ideia de intermediários para resolver o problema da guerrilha, que já dura quatro décadas.

O ministro da Defesa colombiano, Rodrigo Rivera, também rechaçou a proposta das Farc de expor sua "visão" do conflito interno na Unasul ao dizer que "com os terroristas não se dialoga". Em declarações a jornalistas, Rivera questionou o que poderia acontecer se alguma organização internacional abrisse as portas para Osama bin Laden falar.

Além disso, reforçou o pedido para que outros países não se intrometam ou tentem mediar o conflito. “Os amigos em nível internacional podem nos ajudar não gerando nenhum tipo de paralelismos", disse o ministro.

Chanceler do Equador, Ricardo Patiño prometeu conversar com a colega colombiana, María Ángela Holguín, sobre o pedido das Farc, durante reunião nesta terça-feira.


Proposta
Na tarde desta segunda-feira, as Farc divulgaram uma carta na qual propõe negociar com a Unasul uma forma de acabar com o conflito. "Presidentes, em qualquer data considerada por vocês apropriada, gostaríamos de apresentar nossa visão do conflito colombiano a uma assembléia da Unasul", disse a mensagem.

O grupo guerrilheiro vem perdendo força desde que o governo resolveu mandar tropas para áreas controladas por guerrilheiros, eliminando seus principais comandantes. Além disso, está sofrendo com deserções, apesar de ainda ter força em áreas rurais e use o tráfico de cocaína para financiar suas operações.

A última vez em que o governo colombiano negociou com as Farc foi entre 1999 e 2002, quando concedeu para a guerrilha uma área desmilitarizada no sul do país do tamanho do território da Suíça.

Quando as negociações fracassaram, o então presidente Álvaro Uribe instituiu uma política de linha-dura, com o aval do governo americano.

*Com BBC e EFE

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG