Governo colombiano permite que processo para entrega de reféns das Farc continue

A problemática entrega de reféns das Farc, na Colômbia, foi retomada nesta segunda-feira com o anúncio, feito pela Cruz Vermelha, de que irá imediatamente em busca dos sequestrados que permanecem em poder da guerrilha, depois que o governo reverteu sua decisão de não autorizar a mediação de uma comissão civil.

AFP |

"Não haverá uma saída hoje (segunda), mas vamos fazer todo o possível para que haja uma saída o mais rápido possível", afirmou à imprensa o porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CIC) na Colômbia, Ives Heller.

Ele indicou que ainda não foram definidos dia ou hora para a partida dos helicópteros brasileiros que participam da operação, iniciada no domingo com a libertação de três policiais e um soldado, e que, inicialmente, incluía também a entrega dos políticos Alan Jara, nesta segunda, e Sigifredo López, na quarta-feira.

"O CICV gostaria de fazer um apelo à prudência, e dizer que continuará trabalhando com discrição", disse Heller.

Antes, o governo colombiano havia anunciado que aceitaria manter a participação da senadora Piedad Córdoba, fundadora do grupo Colombianos pela Paz e principal intermediária da soltura de reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Em uma entrevista coletiva, a senadora colombiana disse que a operação continuará na terça-feira.

"Sairemos bem cedo para cumprir esta tarefa", afirmou Córdoba, que também pediu ao presidente, Alvaro Uribe, autorização para que outro membro do Colombianos pela Paz acompanhe a missão.

As Farc não se pronunciaram sobre o impasse desta segunda-feira.

Em dezembro, a guerrilha havia anunciado a entrega dos seis reféns como um gesto unilteral de boa vontade para com o grupo de Piedad Córdoba.

Depois de libertados os primeiros quatro reféns, no domingo, Uribe desautorizou a gestão da operação por comissões civis.

Argumentando que seu governo "não pode permitir que o terrorismo continue fazendo festas com a dor dos seqüestrados e suas famílias", Uribe anunciou que daria permissão apenas ao CICV para receber os outros dois reféns.

Ao mudar de idéia nesta segunda-feira, Uribe explicou que o fazia "por solidariedade às famílias dos seqüestrados", segundo um comunicado oficial, no qual reforçou sua "preocupação com a exaltação do terrorismo que aconteceu no dia de ontem (domingo), enquanto as Farc explodiam um carro bomba na cidade de Cali".

Um carro bomba detonado na noite de domingo, atribuída à guerrilha das Farc, matou duas pessoas em uma delegacia da polícia de Cali (sudoeste), terceira maior cidade colombiana, em cujas proximidades o sexto refém deve ser libertado.

A explosão aconteceu no momento em que os quatro reféns libertados - os policiais Alexis Torres, Juan Fernando Galicia e José Walter Lozano e o soldado William Domínguez, seqüestrados desde 2007 - voltavam para Bogotá.

Os quatro foram submetidos a exames médicos nesta segunda-feira. Todos acusaram as Farc de acorrentá-los e confiscar os rádios que usavam para ouvir notícias e mensagens de seus familiares.

axm-sd/ap

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