Governo colombiano diz que mantém contatos com chefes das Farc e do ELN

Bogotá, 24 ago (EFE).- O Governo colombiano mantém contatos com importantes chefes regionais das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) para negociar a desmobilização das guerrilhas, perante a recusa dos rebeldes de iniciar diálogos de paz, revelou hoje a imprensa local.

EFE |

O alto comissário para a paz, Luis Carlos Restrepo, disse em entrevista publicada hoje pelo jornal "El Colombiano", de Medellín, que o Governo concentrará agora seus esforços na estratégia de desmobilizar as estruturas regionais dos rebeldes e não o Secretariado dos grupos.

"Nós achamos que é possível avançar em negociações (...) oferecer-lhes uma saída digna. Fizemos uma análise muito cuidadosa da situação, de fato tivemos contatos com alguns comandantes importantes (...) tanto das Farc quanto do ELN, e vimos que é viável avançar nessas desmobilizações", disse.

Restrepo afirmou que a decisão de aplicar a nova estratégia ocorreu após tomar conhecimento de que existe um distanciamento entre as cúpulas e as bases guerrilheiras, especialmente nas Farc, onde "há problemas de comunicação".

"Há cansaço, isso é evidente, há perda do sentido de luta e, por isso, achamos que há uma situação madura para as desmobilizações coletivas. O desafio é convencê-los de que também podemos pactuar processos dignos com eles", acrescentou.

Restrepo lembrou que, como prova da nova estratégia governamental, há uma semana eles desmobilizaram os últimos 36 guerrilheiros do Exército Revolucionário Guevarista (ERG), uma dissidência do ELN, em uma selva de Chocó (oeste).

Além disso, segundo o comissário, o Governo está disposto a negociar a paz com as cúpulas guerrilheiras, mas só quando os rebeldes abrirem mão do "orgulho" e da "arrogância".

"Não podemos nos entusiasmar com diálogos com cúpulas atrasadas e soberbas que não fizeram outra coisa a não ser jogar com a esperança de paz de todo o país", disse Retrespo.

E acrescentou: "Continuam sem entender que na Colômbia e no mundo já não há espaço para a luta armada, mas se estas cúpulas largarem a arrogância, o Governo estenderá as pontes do diálogo". EFE fer/ab/db

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