Governo colombiano afirma não ter informações confiáveis sobre Betancourt

Bogotá, 1 abr (EFE).- O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, admitiu hoje que as autoridades carecem de informações confiáveis sobre o paradeiro e o estado de saúde da ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt.

EFE |

Ao fazer menção ao grande número de rumores da última semana sobre o paradeiro e a saúde da líder política, refém da Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde 2002, ele disse que "o Governo não teve confirmação".

Além disso, afirmou que "tanto a Polícia Nacional como o Exército fizeram uma averiguação na região do departamento do Guaviare (estado) nestes dias e não foi obtida uma confirmação".

As declarações de Uribe em uma entrevista para a "Radio Santa Fe" coincidem com as do bispo da Diocese de San José del Guaviare, Guillermo Orozco.

O bispo Orozco disse hoje à Agência Efe que as informações de que a ex-candidata presidencial foi atendida em um hospital de sua jurisdição e que iniciou uma greve de fome "são apenas rumores".

"Tenho a mesma informação. Todos são puros rumores. Nada concreto", declarou Orozco sobre a aparente presença da ex-candidata presidencial em um posto de saúde de um povoado do Guaviare, para onde teria sido levada por guerrilheiros.

Esta série de rumores se reavivou na semana passada quando o defensor público Volmar Perez afirmou que o estado de saúde da ex-candidata presidencial é "muito, muito delicado".

Justamente hoje o presidente francês, Nicolas Sarkozy, exigiu a libertação imediata de Betancourt em mensagem televisada dirigida ao chefe das Farc, Pedro Antonio Marín, conhecido como Manuel Marulanda, ou "Tirofijo", no qual responsabilizou esta guerrilha pela possível morte de Betancourt.

"Espero do senhor uma prova de humanidade sem a qual tudo se atolará de novo. Basta uma decisão de sua parte para salvar uma mulher da morte e manter a esperança de todos os que continuam detidos. Tome esta decisão: liberte Ingrid Betancourt", pediu Sarkozy.

Na última semana Pérez disse que seu escritório tinha conhecimento de que Betancourt havia sido "atendida em fevereiro em alguns postos de saúde" do Guaviare.

Porém, Orozco disse hoje à Efe: "Caso alguém analise a mentalidade de nosso povo, que é muito dado aos rumores, e se sabemos que dos que foram entregues (quatro ex-congressistas em 27 de fevereiro) um deles (Luis Eladio Pérez) falou que a viu (Betancourt) três semanas antes, isto faz supor que está por aí".

O ex-senador, que foi refém das Farc por quase sete anos, declarou que viu Betancourt no dia 4 de fevereiro aparentemente em uma localidade do Guaviare por alguns minutos.

Segundo ele, o estado de saúde dela estava muito deteriorado, o que o fez realizar um apelo pela libertação de Betancourt.

"Isto foi suficiente para que as pessoas começassem a especular", afirmou o bispo.

Enviados de emissoras colombianas dizem que alguns camponeses do Guaviare disseram que viram a ex-candidata, que teria iniciado uma greve de fome e tentado se jogar em um rio.

Porém, é fato que a saúde de Betancourt requer de atenção, pois - segundo diferentes fontes - tem leishmaniose, hepatite B e malária.

Na última semana, após o aumento dos rumores sobre a gravidade do estado de saúde de Betancourt, Uribe autorizou a libertação de rebeldes em troca da libertação de seqüestrados.

Por outro lado, fontes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) também disseram que mantêm canais de comunicação com esta guerrilha e com o Governo, e que aguardam uma autorização para prover assistência médica humanitária para atender os seqüestrados, especialmente os doentes. EFE rrm/fal

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