Governo chinês sai fortalecido 30 dias após terremoto que devastou o país

Pequim, 11 jun (EFE).- Exatamente 30 dias após o maior terremoto em três décadas da China o Governo de Pequim enfrenta uma enorme tarefa de reconstrução e de atendimento a 20 milhões de desabrigados.

EFE |

O terremoto de 12 de maio no sudoeste da China deixou 69.146 mortos, 17.516 desaparecidos e 374.131 feridos, segundo informações oficiais atualizadas hoje pelo Conselho de Estado, o Executivo chinês.

Às 14h28 hora local (3h28 em Brasília) de 12 de maio um terremoto de 8 graus na escala Richter atingiu a China, com epicentro em Wenchuan, na província de Sichuan (sudoeste), e o tremor de terra foi sentido até em cidades a mais de mil quilômetros de distância, como Pequim, Xangai e Bangcoc.

O desastre vitimou principalmente crianças, com a destruição de 7 mil escolas, matando mais de 10 mil alunos - 12% do total de mortos - e causando a indignação dos pais chineses.

Em cidades como Juyuan e Dujianyan, ambas na província de Sichuan, aconteceram protestos pelo fato de a maioria das construções que desabaram terem sido escolas e não prédios do Governo, acusando as autoridades locais de corrupção.

Engenheiros enviados por Pequim à região devastada reconheceram que as construções, principalmente escolas e edificações em zonas rurais, caíram por causa da "má construção, mau planejamento urbanístico e falta de esforço nos códigos de construção".

Pelo menos seis jornalistas foram detidos nas últimas semanas em Sichuan enquanto tentavam cobrir uma manifestação de pais que cobravam responsabilidades pelo desabamento de escolas no terremoto, segundo informações do Clube dos Correspondentes Estrangeiros da China (FCCC, em inglês).

Neste contexto, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou hoje recentes detenções de jornalistas que cobriam o terremoto de Sichuan e expressou seu temor sobre a diminuição da transparência de informação antes dos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim.

O Governo reagiu rapidamente com um enorme envio de ajudas, e o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, foi a Sichuan apenas três horas após o terremoto para coordenar os trabalhos de resgate e ajudar as vítimas, gestos que foram amplamente elogiados pelos chineses.

Um total de 50 mil soldados do Exército de Libertação Popular da China foi deslocado para a região atingida pelo tremor de terra para colaborar com os trabalhos de salvamento e tratamento das vítimas.

Também alto foi o número de jornalistas e repórteres que se dirigiram para a província de Sichuan.

A tragédia, que gerou uma infinidade de imagens, despertou uma extraordinária onda de solidariedade entre a população chinesa e também na comunidade internacional, com uma campanha de doações que superou US$ 6 bilhões para a reconstrução e atendimento aos afetados.

Grande parte da verba angariada será destinada à reinstalação dos 20 milhões de desabrigados, dos quais mais de 5 milhões tiveram suas casas destruídas e atualmente moram em acampamentos improvisados e tendas de campanha colocadas em qualquer lugar, às vezes até ao lado de escombros.

A iminente chegada da temporada de chuvas na região e as réplicas do terremoto que ainda acontecem, assim como os 34 lagos formados pelo tremor principal, com uma massa de água que ameaça inundar as localidades já destruídas, representam um risco muito grande para os desabrigados e um desafio para o Governo.

As autoridades chinesas estimam que precisarão de dez anos para concluir a reconstrução e que será necessário mudar muitas cidades e vilas de lugar.

É o caso de Beichuan, cidade com 80% dos prédios que desabaram, que perdeu 20 mil habitantes no terremoto e que o Governo anunciou que será reconstruída a 35 quilômetros de seu lugar original.

Sem dúvida, o tratamento aos refugiados e o retorno de uma nova vida normal para eles são agora os maiores desafios de Pequim, quando restam apenas dois meses para a abertura dos Jogos Olímpicos, com os quais o Governo pretende mostrar ao mundo uma China próspera e moderna. EFE gmp/wr/fal

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