CARACAS (Reuters) - A Venezuela está tirando dezenas de estações de rádio do ar e impondo controles mais rígidos à televisão via cabo e satélite, anunciou um ministro na quinta-feira, como parte da batalha do presidente Hugo Chávez contra as empresas privadas de mídia. O ministro das Obras Públicas, Disodado Cabello, que também comanda a organização venezuelana de vigilância da rádio e TV, disse que 154 estações de rádio FM serão tiradas do ar e colocadas em mãos públicas, num processo que descreveu como democratização do meio.

Ele disse recentemente que 86 estações de rádios AM também serão atingidas, dentro dos esforços intensificados do governo para converter a Venezuela em uma sociedade socialista.

"O uso do espectro radioelétrico é uma das poucas áreas em que a revolução ainda não se fez sentir", disse Cabello a parlamentares, numa apresentação de dados sobre a necessidade de reforma do setor.

Desde que tomou posse, uma década atrás, Chávez já desmembrou grandes fazendas e nacionalizou setores econômicos importantes, incluindo a indústria petrolífera.

Chávez e seus partidários descrevem seu esforço para difundir uma mensagem pró-governo como uma "guerra de mídia" contra as empresas de mídia privadas. A mídia venezuelana é altamente polarizada; a cobertura enviesada é comum nas redes tanto governamentais quanto privadas.

Desde que tomou posse, em 1999, o presidente já ampliou muito o número de TVs e rádios sob o controle do Estado. Algumas emissoras pertencem diretamente ao governo ou são financiadas por ele, enquanto outras são operadas por cooperativas e grupos comunitários.

Em 2007, Chávez deixou de renovar a concessão da TV particular RCTV, que tinha grande audiência e adotava tom crítico em relação a seu governo.

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