Governo canadense tenta evitar moção de censura da oposição

Toronto (Canadá), 30 nov (EFE) - O ministro das Finanças canadense, Jim Flaherty, apresentará amanhã o orçamento geral do Estado em uma tentativa de anular os planos da oposição para derrubar o Governo com uma moção de censura em 8 de dezembro.

EFE |

Flaherty disse hoje durante uma entrevista na emissora de televisão "CTV" que o Governo apresentará os orçamentos mais de três meses antes do previsto, mas não esclareceu se conterão o pacote de estímulo econômico que os partidos da oposição reivindicaram.

Também não se referiu ao delicado plano do Governo para cancelar os subsídios aos partidos, uma medida que prejudicaria gravemente a saúde financeira das três legendas da oposição.

O ministro de Transporte, John Baird, disse no sábado que o Governo decidiu retirar essa medida, mas Flaherty não esclareceu se essa decisão é temporária ou permanente.

Apesar de tudo, destacados deputados dos três grupos da oposição (o Partido Liberal, o defensor da soberania Bloco Quebequense e o social-democrata NDP) disseram hoje que estes gestos não são suficientes e que as negociações para formar um Governo de coalizão seguem em frente.

O principal empecilho seria decidir quem será o primeiro-ministro do Governo de coalizão, já que o líder do Partido Liberal, Stéphane Dion, apresentou sua renúncia após os resultados das últimas eleições e a legenda tem uma convenção programada para maio para escolher seu substituto.

Em 14 de outubro, o Canadá realizou eleições gerais antecipadas, nas quais o Partido Conservador do primeiro-ministro Stephen Harper obteve 143 cadeiras, 12 a menos do que o necessário para conseguir a maioria absoluta no Parlamento.

Na quinta-feira passada, Flaherty apresentou um plano orçamentário que excluía medidas de estímulo econômico, apesar de as principais economias do mundo terem implantado pacotes para enfrentar a crise global nas últimas semanas.

O plano também incluía o controverso cancelamento de subsídios aos partidos e a eliminação do direito à greve para os funcionários públicos.

Nesse mesmo dia, o Partido Liberal (com 77 deputados) e o NDP (com 38) iniciaram negociações para derrubar Harper e formar um Governo de coalizão, que contaria com o apoio parlamentar do Bloco Quebequense.

Historiadores políticos no país destacaram que, se as negociações derem certo, seria a primeira vez que o Canadá estaria governado por uma coalizão.

Na sexta-feira, Harper qualificou os planos da oposição de ilegítimos e insinuou que a medida poderia ser anticonstitucional.

No entanto, nas últimas horas os principais jornais do país publicaram trechos de uma carta que Harper enviou em 2004 ao governador geral do país, o equivalente ao chefe de Estado, quando era líder da oposição.

Na carta, Harper solicitava que não se dissolvesse o Parlamento se o então Governo liberal assim o solicitasse e que desse uma oportunidade aos partidos da oposição para formar um Executivo de coalizão. EFE jcr/ab/db

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