Governo britânico recusa liberdade condicional a Ronald Biggs

Por Michael Holden LONDRES (Reuters) - Ronald Biggs, que se tornou mundialmente conhecido pelo Assalto ao Trem Pagador e viveu vários anos foragido no Brasil, perdeu um recurso que movia há anos para conseguir deixar a prisão antes de cumprir toda a pena. O governo britânico considerou que ele não tem direito a liberdade condicional porque não expressa nenhum arrependimento.

Reuters |

O ministro britânico da Justiça, Jack Straw, disse ter rejeitado a recomendação de uma comissão encarregada da concessão do benefício de permitir que Biggs, de 79 anos, seja solto. "O senhor Biggs não expressa nenhum arrependimento e a Comissão descobriu que sua propensão para romper a confiança é um fator muito significativo", disse Straw, em um comunicado.

Biggs e outros 11 membros de uma gangue assaltaram em 1963 um trem postal que fazia a ligação entre Glasgow, na Escócia, e Londres, e levaram 2,6 milhões de libras, equivalente a 30 milhões de libras em valores atualizados (49 milhões de dólares). O crime se tornou conhecido no Brasil como "O Assalto ao Trem Pagador".

Ele foi detido e sentenciado no ano seguinte, mas escapou da prisão 15 meses depois. Biggs usou sua parte do roubo para pagar uma cirurgia plástica e documentos que lhe permitiram ir para a Austrália, onde retomou seu antigo ofício de carpinteiro e decorador.

Depois, fugiu para o Brasil, via Panamá e Venezuela.

Sua vida de playboy e de desafio descarado às autoridades britânicas fez dele uma lenda no mundo do crime, que deu origem a vários filmes e à transformação de vilãos em heróis para milhões em todo o mundo.

Biggs se entregou à polícia em 2001, depois de 36 anos foragido, e atualmente está cumprindo o restante de sua pena no presídio de Norwich, no leste da Inglaterra.

Ele já cumpriu 10 anos do total da sentença de 30 anos dada a um dos mais infames crimes na Grã-Bretanha.

O filho de Biggs, o brasileiro Michael, de 34 anos, disse recentemente à Reuters que seu pai havia sofrido três derrames, dois enfartes leves, câncer de pele e não pode andar, comer, beber ou falar direito.

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