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Governo britânico pretende subornar chefes tribais afegãos

Londres, 26 nov (EFE).- O Governo britânico planeja subornar com dinheiro os chefes tribais da província afegã de Helmand para que lutem contra os talibãs, publica hoje o jornal The Independent.

EFE |

Os funcionários do Governo britânico destacados em Cabul apóiam uma iniciativa que consiste em pagar uma mensalidade a esses chefes tribais se eles aceitarem colaborar com o Governo afegão.

O plano é inspirado no que foi posto em prática com sucesso no Iraque pelo general americano David Petraeus para convencer os grupos sunitas a combaterem os insurgentes da Al Qaeda.

Algumas milícias tribais paquistanesas começaram também a se mobilizar contra os talibãs e os integrantes da Al Qaeda que os apóiam, afirma o jornal.

No entanto, segundo o "Independent", a situação no Afeganistão é mais complexa já que os talibãs e outros grupos extremistas pertencem muitas vezes às mesmas tribos dos líderes que se tenta subornar.

Os chefes tribais serão escolhidos pelo governador da província de Helmand, Gulab Mangal, e esperam receber 800 libras (cerca de 960 euros por ano) pelo comparecimento a um máximo de duas reuniões ao mês.

Mas os críticos temem que esses pagamentos, cerca de 30% a mais do que ganham os funcionários públicos no Afeganistão, sejam na verdade um estratagema do presidente do país, Hamid Karzai, para obter o apoio das tribos nas eleições do próximo ano.

"É um plano antidemocrático. Se for interpretado como caciquismo ou suborno, pode gerar atritos e ressentimentos", disse ao jornal um analista ocidental.

Os Estados Unidos financiam atualmente uma iniciativa semelhante no leste do país, onde está a maior parte de suas tropas.

Enquanto isso, a coalizão pacifista britânica "Stop the War" anunciou hoje, baseando-se em números do próprio Governo do Reino Unido, que os custos da guerra no Afeganistão dobraram.

A despesa prevista pelo Ministério da Defesa para 2009 no país é de cerca de 2,3 bilhões de libras (2,760 bilhões de euros), o que não inclui os 5,7 bilhões (6,840 bilhões de euros) que serão utilizados para equipar as tropas.

A isso é preciso acrescentar o 1,4 bilhão de libras (1,680 bilhão de euros) que o Reino Unido pretende gastar na manutenção de suas tropas no Iraque.

"O custo dessas guerras e ocupações tanto em termos humanos quanto econômicos não deixa de aumentar. Se para o Iraque e o Afeganistão os conflitos são uma catástrofe pelas mortes, para o Reino Unido são também um desastre militar e moral", afirma Lindsey German, da ONG "Stop the War".

"Por que, em tempos de recessão, gastamos bilhões em dinheiro público com guerras que nunca tiveram apoio público?", pergunta German, citada em comunicado da ONG. EFE jr/ev/jp

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