Governo britânico nega que terrorista tenha sido libertado em troca de petróleo

LONDRES - O ministro britânico da Justiça, Jack Straw, desmentiu no último domingo que Londres tivesse feito um acordo, em 2007, para libertar o líbio condenado pelo atentado de Lockerbie, em troca de um importante contrato de fornecimento de petróleo, como denunciou a imprensa.

Redação com agências internacionais |

"A insinuação de que, de uma maneira ou outra, tivéssemos fechado um pacto secreto para libertar Abdelbaset al Megrahi é simplesmente absurda", disse Straw à BBC em resposta a revelações publicadas no domingo pelo jornal Sunday Times.


Al-Megrahi foi recebido com festa na Líbia / AP

O periódico dominical obteve duas cartas enviadas em 2007 pelo próprio Straw a seu colega escocês, Kenny MacAskill, que fazem alusão a uma mudança de atitude de Londres em relação a Abdelbaset al Megrahi (o único condenado pelo atentado de Lockerbie) cuja libertação, neste final de agosto, pela Escócia, foi motivo de uma grande polêmica.

Na primeira carta, de 26 de julho de 2007, Straw dizia preferir que o líbio, então preso na Escócia, fosse excluído de um acordo sobre a transferência de presos entre a Grã-Bretanha e a Líbia.

Na segunda carta, de 19 de dezembro de 2007, Straw informou a MacAskill de que sua posição havia mudado, "levando em conta os interesses manifestos do Reino Unido".

O "Sunday Times" sugere que esta mudança de Straw está relacionada a um acordo de exploração de petróleo e gás entre a companhia britânica BP e Líbia, avaliado potencialmente em 15 bilhões de libras, com negociação bloqueada naquele momento.

O Sunday Times assegura que a Líbia pressionou para incluir Megrahi nas negociações e revela que menos de seis semanas depois do envio da segunda carta de Straw o acordo sobre petróleo foi assinado.

Prisão revogada

Megrahi foi condenado à prisão perpétua por ter participado do atentado contra o voo 103 da Pan American World Airways, que explodiu quando sobrevoava a cidade escocesa de Lockerbie em 1988, matando 270 pessoas.

AP
Foto de arquivo dos destroços do avião

O líbio, de 57 anos, cumpre desde 2001 uma sentença de prisão perpétua - com obrigação mínima de 27 anos - pelo atentado contra o voo que percorria o trajeto entre Londres e Nova York.

Ele foi condenado pela justiça escocesa em um tribunal especial reunido em Haia.

O governo escocês informou que recebeu, em julho, um pedido de libertação de Al-Megrahi por razões médicas, após outra solicitação, em maio, para a transferência do condenado à Líbia, com base em um acordo bilateral, um tratado de transferência de prisioneiros entre Líbia e Reino Unido.

Leia mais sobre atentado de Lockerbie

    Leia tudo sobre: lockerbielíbia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG