Governo britânico nega liberdade condicional a Ronald Biggs

O ladrão britânico Ronald Biggs, que em 1963 assaltou um trem e ficou foragido no Brasil por vários anos, teve seu pedido de liberdade condicional negado nesta quarta-feira pelo ministro da Justiça britânico, Jack Straw. Straw rejeitou uma recomendação do Parole Board of England and Scotland, órgão britânico que analisa pedidos de liberdade condicional, que pedia a libertação de Biggs, de 79 anos.

BBC Brasil |

O ministro afirmou que Biggs "não demonstra arrependimento nenhum" em relação às suas ações e "buscou escandalosamente a (cobertura da) imprensa".

"Recuso a recomendação do Parole Board, de liberdade condicional. Biggs escolheu não obedecer a lei e não respeitar a punição dada a ele - o sistema legal deste país merece mais respeito", afirmou Straw.

Biggs está internado devido a uma fratura e, de acordo com o advogado do detento, Giovanni di Stefano, nesta quarta-feira seu estado de saúde "piorou".

Ele foi levado para o Hospital da Universidade de Norwich, no leste da Inglaterra, depois de sofrer uma queda no final de semana. Stefano afirmou que o filho de Biggs, o brasileiro Mike, está a caminho do hospital em uma viagem "de emergência".

Homem livre

Ronald Biggs, um dos 15 assaltantes que participaram do crime em 1963, completa 80 anos no dia 8 de agosto.

A data também marca o 46º aniversário do assalto ao trem pagador, que viajava de Glasgow a Londres e levaram 2,6 milhões de libras esterlinas.

Pelo assalto, Biggs foi preso e condenado na Grã-Bretanha a 30 anos de prisão, mas conseguiu fugir da prisão de Wandsworth, em Londres, em um caminhão de mudanças. Ele cumpriu apenas 15 meses da sentença.

O ladrão passou 30 anos foragido na Austrália, Espanha e Brasil, mas resolveu voltar à Grã-Bretanha voluntariamente em 2001 para tratar de sua saúde. Ele foi preso novamente ao chegar.

Ao dar suas razões para não conceder a liberdade condicional a Biggs, Straw afirmou que é "inaceitável" que Biggs tenha escolhido não respeitar a lei e tentado evitar as consequências de sua decisão.

Straw acrescentou que Biggs já poderia ser um homem livre "há muitos anos" se tivesse cumprido a sentença. "O senhor Biggs escolheu cumprir apenas um ano de uma sentença de 30 anos. Ele tomou uma decisão pessoal de cometer outro crime e escapar da prisão, evitando a captura ao se mudar para outro país por 35 anos enquanto, de maneira escandalosa, buscava a atenção da imprensa."

"Foi uma escolha do senhor Biggs (...) e agora parece que ele quer evitar as consequências. Não acho que isto seja aceitável", acrescentou Straw.

'Risco controlável'

O relatório do Parole Board afirmou que Biggs apresentava um risco "controlável, sob o plano de gerenciamento de riscos e, consequentemente, recomenda-se a liberdade condicional".

O painel responsável pela análise do caso de Biggs acrescentou que "em termos de suas atitudes e áreas de risco" existem poucas provas de que ele não retornaria à sua vida de crimes, a não ser por sua idade avançada.

"Biggs não demonstra arrependimento algum, e o Parole Board descobriu que a propensão dele ao abuso de confiança é um fator muito importante.", afirmou Jack Straw.

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