Londres, 21 ago (EFE).- Um detido da prisão americana de Guantánamo ganhou hoje uma batalha legal, após a decisão do Tribunal Superior de Londres de que o Governo britânico deve desclassificar informações que o preso reivindica como prova de que sofreu torturas.

O etíope Binyam Mohammed, de 30 anos e legalmente residente no Reino Unido, enfrenta um julgamento militar na base americana de Guantánamo (Cuba) e, caso seja declarado culpado de delitos de terrorismo, pode ser condenado à pena de morte.

Mohammed, que está há quatro anos nessa prisão acusado de conspirar com a rede terrorista Al Qaeda para atentar contra civis, argumenta que os documentos do Governo britânico apóiam sua tese de que as provas apresentadas contra ele foram obtidas mediante tortura.

Dois juízes do Tribunal Superior decidiram hoje que o Ministério de Assuntos Exteriores do Reino Unido (Foreign Office) deve desclassificar informações "não somente necessárias, mas essenciais para a defesa do suspeito".

Richard Stein, um dos advogados de defesa do etíope, afirmou que a decisão judicial "reflete a repugnância de uma sociedade decente perante os métodos empregados pelo Governo dos Estados Unidos na suposta guerra contra o terrorismo".

Por sua parte, o Foreign Office emitiu um comunicado no qual assinalou que estudará "com muito cuidado as implicações" da sentença judicial.

A organização defensora dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) comemorou a decisão do tribunal, e declarou que é dever do Governo britânico divulgar informações pertinentes à defesa de Binyam Mohammed.

Mohammed chegou ao Reino Unido em 1994, como refugiado, e trabalhou como zelador em Londres até 2001, quando viajou ao Afeganistão e ao Paquistão para resolver sua dependência das drogas, segundo alegam seus advogados.

O etíope foi detido em 2002, no Paquistão e, segundo sustenta, foi levado pela CIA a uma prisão do Marrocos, onde assegura ter passado 18 meses sofrendo torturas.

Em 2004, Mohammed foi conduzido ao Afeganistão, país do qual foi transferido a Guantánamo. EFE pa/gs

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