O Ministério do Interior da Grã-Bretanha anunciou nesta quarta-feira que vai endurecer a lei contra a maconha e reclassificá-la como droga classe B.

 A ministra britânica do Interior, Jacqui Smith, alegou que, devido ao "aumento da força" de alguns tipos da droga, pretende reverter a reclassificação da maconha para droga classe C, decidida durante o governo de Tony Blair em 2004.

A pena máxima para posse de drogas classe B na Grã-Bretanha é cinco anos de prisão. Para drogas de classe C, a pena máxima é de dois anos.

Desde que a maconha foi reclassificada em 2004, surgiram temores em relação a algumas variedades da droga, mais fortes, chamadas "skunk".

Segundo a ministra britânica, 80% das apreensões de maconha nas ruas da Grã-Bretanha são desta variedade, e a droga é cerca de três vezes mais forte do que em 1995.

A mudança na classificação da maconha na Grã-Bretanha ainda depende da aprovação do Parlamento.

"Existe a necessidade de agirmos agora para não arriscarmos a saúde dos jovens no futuro", afirmou Jacqui Smith.

"Se existe um problema sério e real, mas também existem dúvidas a respeito do dano potencial que será causado, devemos pecar pelo excesso de cautela, e proteger o público", acrescentou a ministra. "Não peço desculpas por isso, não estou preparada para 'esperar e ver o que vai acontecer'."

Relatório

A decisão da ministra britânica do Interior foi tomada apesar de um relatório do Conselho Consultivo de Abuso de Drogas, encomendado pelo primeiro-ministro Gordon Brown, ter afirmado que a maconha deveria permanecer como droga classe C.

No relatório Maconha: Classificação e Saúde Pública, o conselho descreve a maconha como "uma questão de saúde significativa", mas afirma que a droga deve permanecer na classe C porque os riscos não são tão graves como nas substâncias classe B, como as anfetaminas.

O relatório também doz que existe um "provável, porém fraco, elo entre doenças como psicoses, incluindo esquizofrenia, e o uso de maconha".

Na população como um todo, acrescenta o documento, a maconha tem apenas "um papel moderado" no desenvolvimento destas condições.

"A força de drogas como o skunk não mudou muito nos últimos anos, mas atualmente seu uso é mais comum", disse o presidente do conselho, Michael Rawlings, à BBC. "A questão da potência é uma área muito complexa."

"O governo poderá querer levar em conta outras questões", acrescentou. "É o direito deles. Eles são o governo."

Campanha

Em seu relatório, o Conselho Consultivo de Abuso de Drogas pede a realização de uma campanha para reduzir o uso de maconha, voltada principalmente para o público jovem.

O conselho também expressou sua preocupação com a preponderância de fazendas domésticas de plantações de maconha, fornecendo a droga ao mercado e o envolvimento de redes de crime organizado.

A ministra Jacqui Smith afirmou que aceita a grande maioria das recomendações do conselho, mas não a que trata da classificação da maconha.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, afirma que a reclassificação da maconha como droga classe B tem o apoio do público e da polícia.



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