Governo britânico concebeu política que possibilitou tortura de suspeitos

Londres - Advogados dos serviços de inteligência e membros do Governo britânico conceberam uma política de interrogatórios para detidos por terrorismo que possibilitou a aplicação em outros países de torturas a cidadãos e residentes do Reino Unido, acusa hoje o diário The Guardian.

EFE |

Vários suspeitos de terrorismo detidos sem julgamento no Paquistão afirmam ter sido torturados por agentes da espionagem paquistanesa antes de serem interrogados por funcionários do MI5, o serviço de inteligência britânico.

A existência de uma política oficial para esse tipo de interrogatórios ficou evidente evidenciou no Alto Tribunal de Londres ao qual recorreu a defesa de Binyam Mohammed, um residente britânico que continua preso em Guantánamo, e que foi interrogado em Karachi por um funcionário do MI5.

O agente, ao qual só pode ser identificado como testemunha B, admitiu perante o tribunal que embora Mohammed estivesse há cinco meses preso no Paquistão, e ele mesmo era consciente das violações dos direitos humanos nesse país, em nenhum momento perguntou se o suspeito tinha sido submetido a torturas.

A testemunha B reconheceu que Mohammed estava em uma "posição muito vulnerável" quando o interrogou em Karachi em 2002 e admitiu também ter dito ao preso que este receberia melhor tratamento se cooperasse, embora soubesse que ele ia ser entregue às autoridades americanas.

Perguntado se essa entrega aos EUA tinha lhe preocupado, a testemunha respondeu que sabia que o interrogatório dos detidos tinha sido tratado pelos assessores legais do MI5 e o Governo britânico.

"Atuei nesse caso, como em outros, sob a forte impressão que (essas práticas) são consideradas legais".

"The Guardian" cita outras fontes que também falam que a política britânica sobre interrogatório de suspeitos de terrorismo tinha sido ditada desde altas instâncias do Governo.

Documentos americanos examinados pelo alto tribunal e remetidos a deputados e lordes do Comitê de Inteligência e Segurança do Parlamento contêm supostamente provas dessa conivência das autoridades britânicas com os duros interrogatórios a que foram submetidos os suspeitos de terrorismo.

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