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Governo brasileiro nega ter cooperado com as Farc

O assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia negou nesta quinta-feira que o governo brasileiro tenha cooperado com a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) como afirmou uma reportagem publicada na revista colombiana Cambio. Não há nenhuma cooperação do governo brasileiro com as Farc, nenhuma.

BBC Brasil |

Basta ler os documentos para ter isso claro", afirmou Garcia à BBC Brasil por telefone.

A edição da revista colombiana Cambio publicada nesta quinta-feira afirma que representantes das Farc mantiveram contato com autoridades do governo e da Justiça brasileiros, e também com deputados do PT.

O assessor da Presidência está no Paraguai e disse não ter lido a matéria publicada nesta quinta-feira.

"Isso parece provocação, não há nenhuma cooperação. É questão de perguntar ao presidente Uribe e tirar (a versão)".

Além de Marco Aurelio Garcia, a reportagem cita o ex-ministro José Dirceu, o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho o chanceler Celso Amorim entre outros.

O Itamaraty também negou qualquer vínculo do chanceler Amorim com as Farc."Nunca houve qualquer forma de contato direto ou indireto do ministro Celso Amorim com qualquer membro ou representante das Farc", disse à BBC Brasil a assessoria de imprensa do Itamaraty.

E-mails
A revista Cambio diz ter se baseado em correios eletrônicos que teriam sido encontrados no computador de Raul Reyes, número dois da guerrilha, morto durante o bombardeio do Exército colombiano a um acampamento das Farc que havia instalado no Equador.

A Cambio teria tido acesso a 85 e-mails trocados entre 1999 e 2008 por líderes da guerrilha, entre eles seu fundador, Manuel Marulanda, morto em março, Reyes, e o ex-padre Olivério Medina, representante do grupo colombiano no Brasil.

"Os e-mails são apenas indícios de eventuais contatos entre as Farc e membros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, pois nenhum desses políticos brasileiros enviou diretamente mensagens a guerrilheiros", diz a publicação.

"Porém, eles deixam várias perguntas sem respostas, e exigem uma explicação do governo brasileiro", afirma a reportagem da revista.

O "dossiê brasileiro", como foi apelidado pela imprensa colombiana, teria sido entregue pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a reunião bilateral realizada nos dia 19, em Bogotá.

O chanceler colombiano Jaime Bermudez disse nesta quinta-feira que "cabe agora a Brasília determinar as eventuais providências a serem tomadas".

Também foram citados na reportagem o secretário para os direitos humanos Paulo Vanucci, e o ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Robert Amaral, entre outros.

'Desestabilização'
A deputada petista Erika Kokay, apontada na reportagem como uma das facilitadoras de uma atividade política supostamente coordenada com as Farc, negou qualquer envolvimento com o grupo armado, mas afirmou ter colaborado com o processo que permitiu o outorgamento do status de refugiado a Olivério Medina.

"Eu nunca tive qualquer tipo de relação com a guerrilha. Eu só conheço o padre Olivério e apoiei sua condição de refugiado aqui no Brasil porque ele corria um risco concreto de morte se fosse repatriado. Essa é a única relação", afirmou a deputada à BBC Brasil.

Há dois anos, Medina recebeu o status de refugiado político. Para a parlamentar, a reportagem "tenta desestabilizar o governo democrático do Brasil".

Em uma mensagem escrita em junho de 2005 por "José Luís" dirigida a Raul Reyes, aparece o nome do ex-ministro José Dirceu. De acordo com os supostos documentos, Dirceu teria pedido ao jornalista Breno Altman que realizasse o contato com José Luís.

'Mentira'
"Breno Altman me disse que vinha da parte do ministro da Presidência, José Dirceu, e que, por motivos de segurança, eles haviam acordado que as relações não passariam pela Secretaria de Relações Internacionais e sim que fosse feita diretamente através do ministro com a representação de Breno", disse o email, segundo a revista Cambio.

Consultado pela BBC Brasil, Altman também negou as afirmações.

"Isso é mentira. Nunca fui assessor do Dirceu ou membro do governo, nem do PT para poder estabelecer vínculos deste tipo", afirmou Altman.

O jornalista disse que conheceu José Luís em Havana, em 2005, em um encontro organizado pelo governo cubano contra o terrorismo.

"Contei a ele que estava escrevendo um livro, que não concluí, sobre as lideranças de esquerda da América Latina e que gostaria de entrevistar Marulanda e Raul Reyes, só isso. Falei como jornalista", afirmou.

A revista Cambio afirma que diferente do que ocorreu com os governos de Venezuela e Equador - em que Uribe falou sobre os supostos vínculos destes governos com a guerrilha - com o Brasil o presidente colombiano teria utilizado a discreção.

"Com o Brasil (Uribe) manipulou por debaixo da mesa para não comprometer o (presidente Luiz Inácio) Lula da Silva, que se mostrou mais hábil e menos conflitivo com a Colômbia do que seus outros colegas (os presidentes venezuelano, Hugo Chávez, e o equatoriano, Rafael Correa)", disse a reportagem.

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