Governo boliviano quer punir jornalista húngaro que entrevistou opositor

La Paz, 24 abr (EFE).- O Governo de Evo Morales anunciou hoje ações legais contra o jornalista húngaro que entrevistou Eduardo Rózsa Flores, o suposto líder de um grupo terrorista internacional desarticulado na semana passada na Bolívia.

EFE |

O vice-ministro de Coordenação com os Movimentos Sociais, Sacha Llorenti, explicou à imprensa que serão tomadas "todas as ações legais" necessárias "dentro e fora do país" contra o jornalista, porque seu "silêncio cúmplice" colocou "em risco a integridade da pátria".

András Kepes, diretor da televisão pública da Hungria, entrevistou Rózsa Flores em 8 de setembro de 2008, antes que este viajasse à Bolívia.

A entrevista foi transmitida na última terça-feira na Hungria, após a morte de Rózsa Flores, que tinha pedido ao jornalista que só fosse ao ar se algo acontecesse com ele.

Nela, o opositor explicava que o motivo de sua viagem à Bolívia era organizar a defesa militar de Santa Cruz, sua região natal, com a meta de alcançar a independência do departamento através de "métodos pacíficos, mas mostrando força".

O Governo da Bolívia considera que a atitude do jornalista húngaro significa, "pelo menos, encobrimento de uma situação que atenta à segurança do país", disse hoje Llorenti, que destacou a necessidade de que o fato não fique "na impunidade".

O vice-ministro lembrou que, segundo o direito internacional, os que "colaboram ou encobrem situações que têm a ver com fatos de terrorismo devem ser processados e punidos".

Para Llorenti, o que o jornalista deveria ter feito é "imediatamente denunciar o fato às autoridades húngaras e estas, obviamente, levar ao conhecimento das autoridades bolivianas".

Rózsa Flores foi morto em uma operação policial na qual também morreram Árpád Magyarosi (romeno de origem húngara) e Dwyer Michael Martin (irlandês), e na qual foram detidos Mario Francisco Tadic Astorga (boliviano, com passaporte croata) e Elod Tóásó (húngaro).

EFE lav/db

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