Governo boliviano propõe diálogo direto com oposição

LA PAZ - O governo do presidente boliviano, Evo Morales, propôs hoje um diálogo sem mediadores aos governadores autonomista da Bolívia, após insistir em que a Igreja não é imparcial e admitir que a Organização dos Estados Americanos (OEA), por enquanto, colocou fim à sua tentativa de aproximar as partes.

EFE |

               Clique na imagem e veja o infográfico sobre a crise na Bolívia

O vice-presidente, Álvaro García Linera, disse hoje perto da sede do governo que é necessário refletir sobre a possibilidade de que "não sejam necessários mediadores" e "talvez seja mais frutífero novamente um encontro direto entre as autoridades políticas" para resolver a crise do país.

Ele insistiu em que o governo e os governadores regionais devem trabalhar juntos para analisar essas "diferentes opções" com o objetivo de "garantir a unidade do povo".

O governo rejeitou a mediação da Igreja Católica na crise depois que o cardeal Julio Terrazas, máxima autoridade eclesial na Bolívia, validou no domingo com seu voto o referendo autonomista de Santa Cruz, o qual Morales qualifica de "ilegal" e "separatista".

O vice-presidente ressaltou que a mediação de Terrazas, defendida por líderes opositores, já não é possível, pois, em sua opinião, ao participar da consulta, ele quebrou sua "imparcialidade".

A outra entidade que tentou mediar no conflito entre Morales e os governadores regionais autonomistas de quatro departamentos, Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija, foi a OEA, mas também não conseguiu resultados.

O representante da organização em La Paz, Bernhard Griesinger, deu por encerrada, por enquanto, essa tentativa que não teve resultados, segundo uma entrevista publicada hoje no jornal "La Prensa".

Griesinger afirmou ao periódico que a entidade "fez todo o possível" e que, por enquanto, não tem uma opinião sobre qual solução dar ao conflito.

Ele ressaltou ainda que, no que diz respeito a seu papel na crise boliviana, "o mandato da OEA terminou" e acredita que o Governo Morales não voltará a pedir sua ajuda, pois a oposição não aceita a mediação da entidade para o diálogo.

Em sua opinião, a conjuntura atual é diferente da de semana passada, quando o debate estava centrado em evitar a consulta de Santa Cruz ou a violência que, acrescentou, foi muito reduzida frente à preocupação que havia sobre possíveis "30, 40 ou 50 mortos".

Griesinger também confiou em que "não vai ocorrer uma divisão" territorial no país e não haverá "uma Bolívia A ou Bolívia B".

"Isso não vai acontecer, isso não é viável econômica, técnica, social e politicamente", disse o representante da OEA.

Segundo a imprensa local, na próxima segunda-feira Morales pode definir a data de um novo convite aos governadores regionais autonomista de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija.

As três últimas regiões devem validar seus estatutos autônomos em junho.

Leia mais sobre: Bolívia

    Leia tudo sobre: boliviabolíviainfográfico

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG