Governo boliviano pede para opositores voltarem às negociações

La Paz, 1 out (EFE) - O Governo da Bolívia pediu hoje aos governadores regionais opositores para retornarem ao processo de diálogo aberto para levar paz ao país, e disse estranhar e estar preocupado com a ruptura unilateral das negociações.

EFE |

"Pedimos aos governadores regionais para voltar à mesa de diálogo", disse em conferência o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, pouco depois que os opositores anunciaram a suspensão temporária das negociações.

Os governadores regionais autonomistas justificam a interrupção das negociações com o fato de o Governo de Evo Morales ter descumprido as bases do processo com uma "caçada" a cidadãos e líderes de suas regiões.

O estopim da decisão anunciada hoje pelos governadores regionais foi a detenção de um cidadão do departamento de Tarija, no sul do país, acusado pelo Governo de participar de um dos atentados contra gasodutos e refinarias cometidos durante os protestos opositores de setembro.

Com o processo de diálogo aberto em Cochabamba, tanto o Executivo quanto a oposição regional buscam pacificar a Bolívia após a onda de confrontos que afetou várias regiões e nas quais pelo menos 18 pessoas morreram.

O ministro da Presidência insistiu em que a detenção do cidadão de Tarija "obedece estritamente a uma decisão da Procuradoria Geral".

"Não é possível que os governadores regionais queiram adiar ou suspender o diálogo com a intenção de proteger ou encobrir um crime comum", acrescentou.

Quintana afirmou que "o Governo, em nenhum momento, descumpriu compromissos para sustentar o diálogo", mas ressaltou que "são inegociáveis os processos penais que devem ser realizados" para atribuir responsabilidades nos protestos em setembro.

O ministro antecipou que os processos seguirão "contra todos aqueles que atentaram contra os bens públicos, atacaram os escritórios do Estado, destruíram a propriedade e que, em outros casos, mataram ou assassinaram camponeses inocentes".

Desta forma, se referiu ao pior episódio da onda de choques, vivenciada na região de Pando em 11 de setembro, onde o Governo decretou o estado de sítio e deteve o então governador regional, Leopoldo Fernández, por violar a medida e por sua suposta responsabilidade no que qualificou de massacre de camponeses.

No entanto, a oposição acusa os governistas de terem iniciado os choques.

Para Quintana, os opositores "não somente deveriam censurar e condenar os atos de terrorismo cometidos em Tarija, mas também se colocar ao lado da lei".

"Não há argumento razoável para aqueles que queiram suspender o diálogo", disse, e anunciou que o Governo vai "insistir" para que tenha um final "satisfatório". EFE az/db

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