La Paz, 21 set (EFE).- O Governo da Bolívia pretende conectar as comunidades de colonos transferidos para a Amazônia boliviana com o Brasil mediante a criação de quase 60 quilômetros de caminhos para promover a troca de produtos entre os dois países, informou hoje o diretor-geral de Terras boliviano, Cliver Rocha.

"Já estamos projetando uma ligação direta com o Brasil, que será por meio de quase 60 quilômetros de caminhos que terão que ser abertos", afirmou Rocha à Agência Efe.

O diretor-geral explicou que, com esta medida, o Executivo boliviano pretende "criar um centro importante de produção e de troca de produtos" entre os assentamentos de camponeses que foram transferidos de outras regiões da Bolívia para a Amazônia com o resto do departamento de Pando e com o Brasil.

Este processo migratório faz parte de um plano do Governo boliviano para garantir a soberania nas fronteira com o Brasil e prevê a mudança de quase 1.500 pessoas distribuídas por três comunidades.

Frente às críticas dos primeiros colonos por causa da carência de infraestrutura, do isolamento e da dificuldade para conseguir alimentos nos assentamentos, Rocha afirmou que "todos os esforços estão sendo feitos para que tenham as melhores condições".

Segundo o representante do Governo, as famílias transferidas contam com uma assistência produtiva no médio e longo prazo e para sua alimentação até que comecem a gerar seus próprios produtos.

A colonização de terras no departamento de Pando recebeu críticas de opositores, para quem o Governo pretende ganhar votos no local nas eleições gerais de 6 de dezembro.

O diretor-geral de Terras rejeitou esta crítica ao dizer que o Governo do presidente boliviano, Evo Morales, não tem "pressa" em transferir os colonos e que o processo será "gradual, com a devida prudência e racionalidade".

Além disso, lamentou a "hipocrisia e moral dupla" dos opositores, principalmente dos de Pando, aos quais acusou de deixar muitas comunidades da região "imersas na miséria extrema" quando a administraram.

Rocha também antecipou que autoridades da Bolívia e do Brasil se reunirão no final do mês com os membros da Organização Internacional para as Migrações (OIM) que foram até Pando para fazer um censo dos brasileiros que vivem na região.

Os Governos de La Paz e Brasília preveem o assentamento dos brasileiros que vivem nesta faixa da região de Pando em novas terras no interior da Bolívia ou em território brasileiro, em decisão que será tomada antes do final do ano.

Esta medida se deve à nova Constituição boliviana, promulgada por Morales em fevereiro passado, a qual ratifica que nenhum estrangeiro pode adquirir propriedades em território nacional ou tê-las sob usufruto a 50 quilômetros das zonas fronteiriças. EFE lav/bba

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.