Por Carlos Alberto Quiroga LA PAZ (Reuters) - O governo da Bolívia advertiu na quarta-feira que a unidade do país continua em risco, apesar da recente desarticulação de um suposto grupo terrorista internacional que estaria conspirando para matar o presidente Evo Morales.

De Nova York, Morales disse que o suposto líder do grupo, Eduardo Rosza Flores, havia dito, numa entrevista gravada em 2008 e divulgada na véspera na Hungria, que pretendia promover a secessão do departamento de Santa Cruz (leste).

"A informação que tenho é de que queriam tomar o poder violentamente e antidemocraticamente, e se não podiam tomar (o poder, iriam) dividir uma região no país e para isso tinham que atentar (contra) vidas", disse Morales à CNN.

Já o vice-presidente Álvaro García Linera afirmou que a entrevista deixada por Rosza Flores era uma prova "contundente" da conspiração denunciada na semana passada por La Paz.

Rosza Flores, um boliviano que tinha passaportes húngaro e croata, disse na entrevista a uma TV húngara, reproduzida na quarta-feira na imprensa boliviana, que foi chamado à Bolívia para "defender" e até proclamar a independência de Santa Cruz, cujos líderes políticos se opõem a Morales.

"Essas declarações contundentes, terríveis, brutais, confirmam e validam com uma nova prova as informações preliminares que o governo havia dado ao país a respeito das intenções violentas, ilegais, antidemocráticas e separatistas que tinha a célula desarticulada", disse García.

Por isso, ele desafiou os líderes direitistas de Santa Cruz a "se manifestarem publicamente sobre se defenderão a unidade e a integridade da pátria (...), ou se pelo contrário solaparão, apoiarão, encobrirão quem tentou e quem tenta dividir a sagrada união da pátria boliviana."

O suposto comando terrorista, que segundo o governo pretendia matar Morales, foi desarticulado na semana passada na cidade de Santa Cruz, numa operação policial que resultou na morte de Rosza Flores, do romeno-húngaro Arpad Magyarosi e do irlandês Michael Dwyer.

Outros dois membros do grupo - o húngaro-croata Elot Toazo e o boliviano Mario Tadic - foram detidos na mesma operação, descrita pelo governo como "confronto", e pela oposição como "execução".

Os governos da Hungria e da Irlanda também manifestaram dúvidas sobre as denúncias de La Paz, o que provocou na terça-feira uma reação de Morales, que no entanto disse não se opor a divulgar detalhes das investigações.

"É importante a presença da comunidade internacional na investigação transparente e responsável sobre esses grupos terroristas estrangeiros com alguns bolivianos que vêm atentar contra a democracia", disse o presidente.

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