Publicidade
Publicidade - Super banner
Mundo
enhanced by Google
 

Governo boliviano diz que autonomia é inaplicável

SANTA CRUZ - O governo boliviano disse na segunda-feira que o estatuto de autonomia aprovado na segunda-feira no Departamento de Santa Cruz é inaplicável, já que a elevada abstenção no referendo indica que não há consenso a esse respeito.

Reuters |

   Clique na imagem e veja o infográfico sobre a Bolívia

 

Santa Cruz, a região mais rica do país, aprovou no domingo o estatuto que confere às autoridades locais mais controle sobre educação, segurança, justiça e economia, numa tentativa de evitar a 'refundação' da Bolívia -- reformas esquerdistas promovidas pelo governo e que podem se acelerar com a entrada em vigor de uma nova Constituição.

Mas o ministro de Governo (Casa Civil), Gustavo Rada, disse que a abstenção no referendo superou os 40 por cento, o que mostra a falta de apoio à medida. Seguidores do presidente Evo Morales haviam decidido boicotar a votação.

Segundo apurações preliminares dos meios de comunicação, o 'sim' à autonomia conseguiu 86 por cento dos votos, contra 14 por cento para o 'não'.

'Achamos que (a abstenção) ficará acima de 40 por cento.

Santa Cruz está dividida -- 50 por cento que se abstiveram, votaram contra, nulo ou branco, e 50 por cento que votaram 'sim'', disse Rada a uma TV local.

O Departamento Eleitoral de Santa Cruz (encarregado da apuração, já que a Justiça nacional considerou o referendo ilegal) ainda não divulgou dados oficiais.

Morales disse na noite de domingo que a consulta foi um fracasso, qualificando-a de ilegal e separatista.

A votação foi marcada por violência, com dezenas de feridos em choques entre seguidores do governo e oposicionistas, que usaram paus e pedras para defender os locais de votação.

Também no domingo, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas em várias cidades do Altiplano (oeste) contra o referendo em Santa Cruz.

Outros três Departamentos do leste do país pretendem realizar referendos autonomistas nos próximos meses. A crise mostra a polarização secular na Bolívia entre o oeste, montanhoso e com grande população indígena, e o leste, uma planície onde há maior presença de brancos.

Os empresários do Departamento, principais promotores da autonomia, também se opõem ao plano de reforma agrária do governo, que ameaça os enormes latifúndios da região.

A nova Constituição, aprovada numa assembléia controlada pela bancada governista, e ainda a ser submetida a vários referendos, estabelece mais poderes para a maioria indígena, amplia o controle do Estado sobre a economia e cria um marco jurídico para a política de nacionalização dos recursos naturais promovida por Morales.

(Por Alejandro Lifschitz)

Leia mais sobre: Bolívia

Leia tudo sobre: bolívia

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG