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Governo boliviano denuncia início de golpe civil

LA PAZ - O governo da Bolívia denunciou na terça-feira o início de uma tentativa de golpe civil realizada pela oposição conservadora do Departamento de Santa Cruz, mas descartou a possibilidade de decretar um estado de sítio para diminuir a tensão política.

Redação com agências internacionais |


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Uma série de invasões violentas de agências e empresas públicas da cidade de Santa Cruz e uma tentativa fracassada de interromper a exportação de gás natural ao Brasil fariam parte do "golpe cívico contra a unidade e a democracia na Bolívia", disse Alfredo Rada, ministro de governo.

A agressividade das manifestações em Santa Cruz e em outros três dos nove Estados (Departamentos) bolivianos, somada à denúncia do governo, marcaram um dos dias mais tensos do conflito travado atualmente no país sul-americano e provocado pelo rechaço por parte da direita às reformas socialistas defendidas pelo presidente Evo Morales.

"Denunciamos diante do país e da comunidade internacional que aquilo que vinha sendo arquitetado com apoio interno e externo, que vinha sendo preparado desde as organizações cívicas e os governos regionais da oposição hoje se materializou", afirmou Rada ao final de uma reunião noturna de emergência entre Morales e seu gabinete de chefes militares e policiais.

O ministro responsabilizou o governador de Santa Cruz, Rubén Costas, e Branko Marinkovic, líder cívico desse rico Estado, pela onda de violência alimentada por "grupos fascistas" que tomaram e saquearam várias instituições públicas, entre as quais a sede regional da TV estatal.

Segundo Rada, o governo, que pretende realizar um referendo em janeiro para colocar em vigor uma nova Constituição de viés socialista, "não vai cair nas provocações fascistas", mas sim "responderá com seriedade e também com firmeza democrática e constitucional".

"Ao contrário do que vem sendo dito em Santa Cruz, o governo nacional não decretará nenhum tipo de estado de sítio. As vidas de 1 milhão de moradores e suas liberdades não serão alteradas por causa de 500 ou 600 malandros", afirmou na mesma entrevista coletiva o ministro boliviano da Defesa, Walker San Miguel.

Crise política na Bolívia

Os incidentes acontecem em meio a uma grave crise política na Bolívia. Os departamentos de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca rejeitam a nova Constituição, defendida pelo presidente Evo Morales, e exigem que o governo devolva às províncias cerca de US$ 166 milhões em royalties do petróleo e gás relocados para a previdência social.

O governo afirma que "há uma escalada da violência", promovida por líderes cívicos de direita, que beira "a ilegalidade".

"Está-se promovendo a tomada de gabinetes públicos, e a polícia e as Forças Armadas estão cumprindo seu papel constitucional", justificou o vice-ministro de governo, Rubén Gamarra, em entrevista coletiva.

Fornecimento de gás

Representantes da oposição na Bolívia disseram na terça-feira que diminuíram a quantidade de gás enviado ao Brasil, em uma tentativa de pressionar o governo do presidente Evo Morales.

O presidente do Comitê Cívico do departamento (Estado) de Tarija, Reinaldo Bayard, disse à BBC Brasil que ele e outros opositores fecharam, nesta terça-feira, uma válvula no gasoduto na cidade de Villamontes, um dos principais centros petroleiros do país.

"Mas nossa intenção é ir além, encontrando lugares onde podemos interromper diretamente esse abastecimento. Tudo para ver se o governo nos ouve. Não vamos desistir desta luta", disse Bayard.

Hugo Muñoz, assessor de relações institucionais da empresa Transierra, que administra o duto em Villamontes, reconheceu que grupos de opositores entraram nas instalações da companhia. Entretanto, o novo ministro de Hidrocarbonetos, Saúl Ávalos, disse que o abastecimento do Brasil não tinha sido afetado.

O Ministério de Minas e Energia do Brasl informou, no início da noite de terça-feira, por meio de sua assessoria de imprensa, que o fornecimento de gás natural boliviano ao Brasil está normal .

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* Com EFE e Reuters

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