Governo boliviano anuncia que vai levar prefeito da oposição ante a justiça

O governo da Bolívia acusou o governador opositor da região oriental de Santa Cruz, Rubén Costas, de entrincheirar-se com os extremistas de direita ao desconhecer a maioria obtida pelo presidente Evo Morales no referendo da semana passada e anunciou que vai levá-lo ante à justiça.

AFP |

O ministro da Defesa, Wálker San Miguel, e o do Interior, Alfredo Rada, em separado, acusaram o governador Costas de ter contribuído para gerar uma escalada de violência e promovido outras medidas como a greve cívica convocada para a próxima terça-feira.

Na véspera, Rubén Costas chamou Evo Morales de "assassino" depois dos violentos distúrbios ocorridos em sua cidade. Costas disse ainda que Morales "é um criminoso" e que deve pedir desculpas oficiais a Santa Cruz, em um discurso pronunciado ante a seus partidários.

"Não vamos gastar pólvora em galinheiro, vamos dizer que o senhor, excelentíssimo presidente assassino dos bolivianos, é o responsável, é o verdadeiro criminoso", afirmou Costas.

O comício foi convocado pelo governador na noite de sexta-feira, depois dos distúrbios entre setores ligados ao governo local e a polícia, originados no protesto de deficientes físicos que que exigem um bôuns governamental e que foram reprimidos com violência.

Ao protesto dos deficientes físicos se uniram grupos radicais de direita e universitários que tentaram tomar o comando regional da política, numa disputa que durou mais de oito horas.

Evo Morales foi confirmado no cargo com 67,41% dos votos no referendo revogatório de domingo passado. Morales e seu vice-presidente, Álvaro García Linera, aumentaram em 13,71% seu percentual de aceitação em relação à eleição de 2005.

Em função desses números, Morales afirmou neste fim de semana que o resultado do referendo confirma que mais de 75% da população o apóiam.

"Já não somos um simples governo, e sim o poder do povo", enfatizou.

O referendo também confirmou os prefeitos (governadores) da oposição de Santa Cruz, Rubén Costas (66,43%); de Pando, Leopoldo Fernández (56,21%); de Tarija, Mario Cossio (58,06%) e de Beni, Ernesto Suárez (64,25%); além do governista Mario Virreira, de Potosí (79,08%).

Em contrapartida, foram revogados os prefeitos opositores de La Paz, José Luis Paredes, com 64,52% de votos contra e de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, com 64,81% dos votos contra.

Cinco governadores da oposição, por sua vez, convocaram para o próximo dia 19 uma greve cívica na Bolívia contra o presidente, a quem acusam de não atender às demandas regionais.

Os cinco governadores exigem de Morales a reposição dos fundos regionais que o governo central têm utilizado para pagar uma bonificação anual de 337 dólares aos aposentados.

Além disso, os governadores pediram que as autonomias regionais aprovadas através de referendos populares nas regiões de Tarija, Santa Cruz, Beni e Pando sejam reconhecidas pelo governo central.

jlv/cn

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