Governo argentino tenta antecipar eleição legislativa

Por Helen Popper BUENOS AIRES (Reuters) - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse nesta sexta-feira que pedirá ao Congresso que adiante as eleições para deputados e senadores de outubro para o dia 28 de junho, numa medida surpreendente para tentar minimizar os efeitos da crise econômica global no país.

Reuters |

As eleições -- para metade dos assentos da Câmara dos Deputados e um terço do Senado -- são um teste importante para a presidente, que viu sua popularidade despencar desde que sucedeu o marido, Néstor Kirchner, na Presidência, há 15 meses.

Cristina Kirchner afirmou que enviaria um projeto de lei ao Congresso na segunda-feira a fim de modificar a lei eleitoral. As eleições haviam sido marcadas inicialmente para o dia 25 de outubro.

"Seria quase suicídio envolver a nossa sociedade em uma discussão permanente de posicionamentos (políticos), enquanto o mundo se despedaça e os pedaços podem cair em cima da gente", disse a presidente em ato público.

"A crise é grave e exige uma atitude diferente de todos nós. Que todos os esforços estejam concentrados precisamente em conseguir sustentar a atividade econômica e o nível do emprego", acrescentou.

Críticos afirmaram que a presidente de centro-esquerda quis mudar a data da eleição por temer que seus aliados no Congresso sejam derrotados enquanto a crise mundial atinge a terceira maior economia da América Latina.

Na quinta-feira, o prefeito de Buenos Aires, o opositor Mauricio Macri, anunciara que as eleições para a Câmara de Vereadores da cidade seriam antecipadas, o que também teria sido motivado por temores de consequências da crise.

"Acho que eles fizeram isso porque temem que o impacto da crise global seja maior em outubro do que é agora", disse a analista política Graciela Romer.

Uma longa disputa com o setor rural enfraqueceu o governo de Cristina, enquanto a economia do país vem desacelerando após seis anos de crescimento robusto, embora ainda não tenha sofrido com demissões em massa e quebra dos bancos observadas em outros países.

No último fim de semana, o governo de Cristina Kirchner sofreu uma dura derrota nas eleições da Província de Catamarca, no norte, que para muitos representou um sinal do enfraquecimento da presidente.

A oposição criticou a decisão de tentar antecipar o pleito legislativo e disse que a proposta tem como intenção diminuir o tempo para que os adversários formem suas alianças.

"Esta decisão que o governo nacional deseja tomar tem como objetivo impedir que a oposição se una", disse Gerardo Morales, presidente da União Cívica Radical, de oposição.

Numa discurso transmitido pela televisão, Cristina Kirchner afirmou: "Não quer dizer abrir mão da disputa eleitoral. Mas não podemos ter uma corrida eleitoral constante de agora até outubro em meio a essa crise fenomenal."

A legislação argentina determina que a convocação de uma eleição seja realizada com no mínimo 90 dias de antecedência para a data do pleito.

(Reportagem adicional de Karina Grazina)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG