Governo argentino quer intervenção judicial em companhia aérea

Por César Illiano BUENOS AIRES (Reuters) - O governo argentino pediu na quinta-feira à Justiça que nomeie um interventor na Aerolíneas Argentinas, num aparente passo na direção da nacionalização da empresa.

Reuters |

A Aerolíneas, controlada pela agência espanhola de turismo Marsans, atrasou os salários de junho e está endividada, apesar dos subsídios que recebe para os combustíveis. A companhia, que segue preços impostos pelo governo, enfrenta greves e queixas sobre seus serviços.

A Secretaria de Transportes argentina disse à Reuters que o interventor eventualmente nomeado pela Justiça seria encarregado de aprovar as principais decisões da Aerolíneas.

A imprensa local diz que o governo gostaria que esse interventor negociasse empréstimos do Banco Nación (público) para pagar os salários.

Líderes dos sindicatos de pilotos e aeroviários se reuniram na quarta-feira com autoridades e prometeram evitar greves nos próximos 60 dias, enquanto o governo aguarda a decisão judicial sobre a intervenção.

Analistas dizem que o governo está interessado na 'argentinização' da Aerolíneas, o que significaria transferi-la para as mãos do Estado ou de algum investidor que seja aliado da presidente Cristina Kirchner.

No passado, empresas estrangeiras como a Petrobras, a espanhola Repsol e a francesa EdF já venderam seu patrimônio na Argentina para empresários considerados próximos de Cristina e do marido dela, o ex-presidente Néstor Kirchner.

'É uma clássica manobra dos Kirchner, encurralar o proprietário estrangeiro e aí dizer: 'Você realmente gostaria de vender isso para nós'. Isso sempre acelera as transações', disse Christopher Ecclestone, analista da consultoria nova-iorquina Hallgarten and Co.

A Aerolíneas Argentinas disse que não comentaria a situação da empresa.

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