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Governo argentino manterá modelo econômico, apesar da inflação

Buenos Aires, 25 abr (EFE).- O Governo argentino ressaltou hoje que a nomeação de Carlos Fernández como novo ministro da Economia significa a continuidade do modelo vigente, em meio à preocupação com a inflação e com o conflito com o campo, iniciado com a alta dos impostos à exportação de grãos.

EFE |

Enquanto isso, dirigentes das associações agropecuárias disseram que a mudança do titular de Economia traz uma certa esperança quanto à possibilidade de retomar as negociações realizadas durante a "trégua" da greve de 21 dias suspensa no começo do mês e iniciada para protestar contra a pressão do Fisco e de órgãos reguladores.

Entretanto, expressaram sua "preocupação" com o "tom de confronto" de certos setores oficiais, em especial o do ex-presidente Néstor Kirchner, marido da chefe de Estado, Cristina Fernández.

Além disso, ressaltaram que continua a contagem regressiva da "trégua" de 30 dias da greve do campo, à qual aderiram milhares de produtores agropecuários. O prazo para que reivindicações dos manifestantes sejam atendidas termina em 2 de maio.

O chefe do Gabinete, Alberto Fernández, ratificou hoje a política oficial e disse que estava "encerrado" o ciclo de Martín Lousteau, que renunciou na quinta-feira à noite por causa da rejeição às suas propostas, que incluíam medidas para "esfriar" a economia para conter a inflação, disseram à Agência Efe fontes oficiais.

Lousteau, de 37 anos e um dos mais jovens economistas a ocupar a pasta de Economia no país, mantinha disputas com o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, a quem se atribui a dureza do Governo nas negociações com o campo e pressões às empresas para conter a alta de preços.

Alberto Fernández disse que Lousteau "desejava se afastar" e ressaltou que o Governo "o acompanhou" quando, no início de março, estabeleceu um novo sistema de impostos às exportações de grãos com base na variação de seus preços internacionais, o que, na prática, levou a uma maior pressão do Fisco e gerou os protestos do campo.

O chefe do Gabinete esclareceu que o Governo de Cristina, que já está há quatro meses e meio no poder, concorda com as medidas adotadas por Lousteau, porque levam "a uma melhor distribuição de renda".

Porém, Fernandez também criticou o esfriamento da economia, motivo pelo qual Martín Lousteau renunciou.

"Esfriar a economia significa, hoje em dia, diminuir a capacidade de consumo do povo: é tirar-lhe dinheiro do bolso e, de alguma forma, tirar a possibilidade de as pessoas comprarem, as empresas produzirem e isso gera desemprego e crise social", declarou a emissoras de rádio.

Carlos Fernández, de 54 anos, que hoje assumirá as rédeas do Ministério da Economia, disse que "não tem que mudar nada" da política vigente.

Analistas e consultores indicam, há meses, que a ameaça da inflação faz necessário corrigir o modelo econômico em vigor desde 2002, baseado no estímulo ao consumo e em uma política cambial de desvalorização do peso de 68% frente ao dólar, apesar da depreciação da moeda dos Estados Unidos.

No contexto internacional de encarecimento dos preços dos alimentos, eles prevêem alta da inflação "real" e destacam o generalizado descrédito dos dados oficiais, os quais a Justiça investiga há mais de um ano por causa das denúncias de suposta manipulação para reduzir o índice.

O líder da Federação Agrária, Eduardo Buzzi, disse hoje que após a mudança na pasta de Economia, "há pelo menos uma chance de retomar as negociações na próxima segunda-feira" com o Governo, mas reafirmou que o campo se "preocupa com o tom de confronto" de Cristina e outros setores governistas.

Na quinta-feira à noite, ao comandar um ato como novo líder do Partido Justicialista (peronista) - cargo que está prestes a assumir formalmente -, o ex-presidente Kirchner criticou os dirigentes que "liquidaram e quebraram a Argentina" e que "querem esfriar a economia para não consumirem e exportarem tudo".

Ele destacou que para que os preços caiam, "é preciso acabar com os sem-vergonhas e os especuladores" e reiterou antigas críticas de sua esposa e presidente aos dirigentes agropecuários.

No entanto, a líder opositora Elisa Carrió disse hoje que a troca de ministro da Economia demonstra que o ex-presidente é quem detém o verdadeiro poder no país. EFE alm/rb/db

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