Governo argentino fecha acordo com produtores rurais

Os líderes dos produtores rurais na Argentina fecharam um acordo nesta quarta-feira com o governo para incentivar a produção de laticínios, trigo e carne bovina, depois de quase um ano de divergências entre os dois lados. A presidente Cristina Kirchner apareceu de surpresa no encontro entre a comissão que agrupa os principais representantes do setor rural e os ministros da Produção, Débora Giorgi, e do Interior, Florencia Randazzo.

BBC Brasil |

Esta foi a segunda reunião entre os produtores rurais e o governo em oito meses e a primeira entre os ruralistas e a presidente desde junho de 2008.

Tanto ministros quanto produtores agrícolas consideraram os avanços positivos, mas os líderes do campo rejeitaram uma declaração de Randazzo, que considerou superadas as divergências.

"Não há entre os produtores a sensação de que o conflito acabou", disse o presidente da Federação Agrária, Eduardo Buzzi.

O acordo foi fechado em meio a especulações sobre a apresentação de uma proposta para a criação de uma agência de comercialização de grãos.

Os rumores que circularam sobre o assunto criaram uma grande expectativa, que aumentou com o comparecimento de Kirchner na reunião. O ministro Randazzo não descartou a possibilidade de o governo criar o novo órgão.

A proposta divide os ruralistas - alguns deles apoiam a participação do Estado no comércio de grãos, mas líderes do setor temem o excessivo controle que o governo poderia vir a ter em uma entidade desse tipo.

A participação do Estado no comércio de grãos não é nova na Argentina. Durante quase 60 anos o mercado foi regulamentado por um órgão público, que acabou sendo dissolvido em 1991, pelo governo do presidente Carlos Menem.

Na verdade, a atividade está concentrada nas mãos de poucos exportadores privados, que incluem empresas multinacionais e locais.

A economista Marta Bekerman, da Universidade de Buenos Aires, disse à BBC que a alta rentabilidade destas empresas provocou queixas por parte dos produtores.

Alguns meios de comunicação argentinos especularam que a proposta do governo poderia fazer parte de uma estratégia para forçar os produtores a exportar entre 5,5 e 9 milhões de toneladas de soja que estão armazenadas e cuja comercialização tem grande impacto na arrecadação do Estado.

O acordo firmado nesta quarta-feira prevê um aumento no preço da tonelada do cereal para o abastecimento interno.

Antes da reunião com os líderes ruralistas, Kirchner mas pediu "responsabilidade" a todos os setores e pediu que as divergências sejam resolvidas "democraticamente e levando em conta o interesse conjunto, de todos os argentinos".

"Momentos tão difíceis como os que o mundo vive vão exigir de todos nós aplicar muita inteligência, muita disposição a acordo e união de esforços", disse a presidente.

Milhares de produtores rurais nas principais zonas agrícolas do país aguardaram a conclusão da reunião.

O acordo é um marco na disputa entre os produtores agrícolas e o governo, iniciada depois do anúncio do aumento dos impostos para a exportação, em março de 2008.

As diferenças com os ruralistas e os protestos e paralisações
provocados pelo setor no ano passado causaram a primeira grande crise
da gestão de Cristina Kirchner.

Mas os líderes rurais são cautelosos. "Anúncios, tivemos muitos, o que precisamos agora é que sejam concretizados", disse Mario Llambías, das Confederações Rurais Argentinas.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG