Governo argentino e representantes do campo medem forças em manifestações

Buenos Aires, 25 mai (EFE).- O Governo argentino e os representantes do campo mediram hoje suas forças nas ruas em meio ao conflito em torno dos novos tributos para as exportações de grãos, com dois atos maciços nas cidades de Salta e Rosário.

EFE |

O campo advertiu que caso não obtenha nesta segunda-feira uma resposta para seus pedidos, começarão na terça-feira novas ações de protesto, enquanto a presidente Cristina Fernández de Kirchner evitou alusões diretas ao conflito que foi iniciado após a mudança, em 11 de março deste ano, no esquema de impostos para a exportação de grãos.

"Estejamos preparados para ir às assembléias, para escutar os resultados da discussão (com o Governo) e estejamos atentos para ver como continuar", afirmou hoje o titular da Federação Agrária Argentina (FAA), Eduardo Buzzi.

As declarações do dirigente aludia à reunião convocada pelo Governo para amanhã com o objetivo de continuar as negociações com o campo para resolver o conflito, agravado por bloqueios parciais de estradas e uma greve que consistiu em não comercializar grãos com destino a outros países, medida que já foi suspensa há alguns dias para se tentar encontrar uma solução.

Buzzi se pronunciou durante o ato convocado pelo campo na cidade argentina de Rosário (309 quilômetros de Buenos Aires), ao qual estiveram presentes 300.000 pessoas, segundo os organizadores.

Os representantes das quatro maiores associações do campo, que reúnem cerca de 290 mil produtores, lançaram duras críticas durante o evento ao Governo de Cristina, que assumiu o poder em dezembro passado após ser escolhida por voto popular para substituir seu marido e ex-líder, Néstor Kirchner.

"O Governo dos Kirchner é um obstáculo para que o desenvolvimento seja possível e para que possamos crescer com emprego para todos. É preciso respeitar o interior do país", afirmou Buzzi.

"Não há mais margem para a mesquinharia política, necessitamos de uma solução já", afirmou o presidente da Sociedade Rural Argentina (SRA), Luciano Miguens, perante o público que chegou a Rosário a partir de diferentes pontos do país com numerosas bandeiras e cartazes que exibiam expressões contrárias ao Governo.

Os dirigentes reivindicaram, além disso, uma política agropecuária, um amplo federalismo no país e questionaram os governadores a favor do Executivo, que organizou hoje um ato em massa na província nortista de Salta (1.510 quilômetros ao noroeste de Buenos Aires), em outra demonstração de força.

Durante o ato, a presidente Cristina pediu "para que se deixe de lado interesses setoriais" e privilegie a Pátria, embora tenha evitado fazer referências diretas ao conflito com o campo, aguçado na quinta-feira passada, quando o Executivo se negou mais uma vez a discutir sobre o novo esquema de impostos, após sucessivos fracassos nas negociações.

"(Convoco) a todos os que queiram ser parte deste país. O único requisito é amar a Argentina. A outra condição é que aprendamos que antes do setor está a Pátria", afirmou Cristina, durante a mobilização de Salta, à qual assistiram cerca de 150.000 pessoas, segundo os organizadores.

A chefe de Estado fez um chamado ao trabalho "pela unidade da Pátria" e destacou que "milhões de argentinos voltaram a ter trabalho e dignidade" nos últimos anos.

O ato oficial de Salta estava ligado às comemorações pelo 198º aniversário da revolução de 1810, antecedente da independência argentina.

Poucos minutos antes do discurso da governante, foram registrados alguns enfrentamentos entre os presentes, em boa parte pertencentes a organizações sociais e sindicatos afins ao Governo.

"Ninguém trouxe este público, eles vieram sozinhos", declararam os dirigentes agropecuários durante o ato em Rosário, em uma clara referência às denúncias de suposto pagamento aos presentes da mobilização em Salta.

A Argentina é o primeiro exportador mundial de girassol, o segundo de milho, o terceiro de soja e o quarto de trigo, e ocupa também postos de relevância no comércio global de derivados (óleos e farinhas) destes grãos. EFE ms/fb

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