Buenos Aires, 13 abr (EFE).- O chefe de gabinete argentino, Alberto Fernández, assegurou hoje que é necessário aumentar a produção do setor agropecuário, e defendeu a aplicação de um mecanismo móvel de impostos sobre as exportações de grãos, rejeitada pelo campo.

"O objetivo é que a produção cresça", disse Fernández, na véspera da primeira reunião técnica com os dirigentes das maiores associações agropecuárias do país, no marco da trégua de um mês estabelecida pelo campo depois de uma greve de 21 dias e de numerosos protestos do setor.

Além disso, o funcionário explicou que o Governo busca garantir "quantias e preços para o mercado interno", enquanto pretende "aproveitar uma oportunidade formidável, já que o mundo está demandando alimentos, e a Argentina é uma enorme produtora de alimentos".

"Sobre esta base trabalharemos. Acho que todos nós entendemos que é uma grande oportunidade, e todos podemos refletir e nos dar conta de que é uma chance única para nós", destacou Fernández em alusão ao encontro de amanhã.

A reunião desta segunda-feira marcará o início de uma série de reuniões técnicas nas quais o Governo e o campo tentarão alcançar um acordo para superar o conflito suscitado por causa do aumento dos impostos sobre exportações de produtos como soja e girassol, estabelecido em 11 de março, um dia antes que o campo anunciasse a greve.

O início destes encontros foi acertado durante a reunião, realizada na sexta-feira, entre a presidente argentina, Cristina Fernández, e os dirigentes agropecuários do país.

O chefe de Gabinete defendeu a recente aplicação de retenções móveis às exportações.

"As retenções móveis parecem ser ingratas quando os preços (internacionais dos grãos) sobem, mas são muito benéficas em períodos de baixa", manifestou.

O setor agropecuário reivindica precisamente que seja freada a aplicação do sistema de retenções móveis e o aumento das taxas sobre a exportação de grãos.

Com esta proposta, o Governo tenta evitar que o campo retome a greve e os bloqueios parciais de estradas, assim que a trégua de 30 dias, estabelecida no dia 2 de abril, terminar.

"Há um aproveitamento político de tudo isto, e nessa conjuntura, quando se aplica esta retenção em um campo em que a colheita está por ocorrer e a soja está subindo, estas reações são geradas", opinou Alberto Fernández.

Em resposta aos protestos em apoio ao campo, setores sindicais e do governante Partido Justicialista organizaram um grande ato de apoio à presidente, que insistiu que as manifestações foram "ataques" ao seu Governo "por questões políticas". EFE ms/bf/gs

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