Governo argentino culpa produtores por nuvem de fumaça

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, chamou nesta quinta-feira de irresponsáveis os produtores rurais acusados de realizar queimadas que deixaram a capital, Buenos Aires, coberta por uma espessa camada de fumaça.

BBC Brasil |

A fumaça, que se estendeu pela província de Buenos Aires e também afeta as vizinhas Entre Ríos e Santa Fé e até a capital uruguaia, Montevidéu, vem de uma série de incêndios na zona do delta do rio Paraná, arrastada pelo vento.

Na capital argentina, o fenômeno provocou caos no trânsito, fechamento de estradas e aeroportos e é apontado como o causador de diversos acidentes.

Segundo a correspondente da BBC Mundo na Argentina, Veronica Smink, os moradores de Buenos Aires estão evitando sair de casa para fugir do mau cheiro provocado pela fumaça e sofrem com problemas de visibilidade e respiração.

Autoridades sanitárias garantem que a fumaça não representa perigo para a saúde, mas pode causar problemas a quem sofre de alergias ou asma.

Veronica Smink afirma que o fogo começou há uma semana e atinge mais de 70 mil hectares. Bombeiros lutam para controlar os indêndios.

As queimadas são um problema comum na Argentina, diz a correspondente da BBC Mundo. No entanto, desta vez, a fumaça atingiu a capital com uma densidade maior que em ocasiões anteriores.

"Desastre"
O ministro do Interior, Florencio Randazzo, disse que mais de 300 focos de incêndio foram detectados.

Segundo Randazzo, os pecuaristas não estão se importando com as conseqüências das queimadas, mas "apenas se concentrando em aumentar os lucros".

"Estamos diante de um desastre provocado pelas mãos do homem", disse o ministro.

Governo e produtores se enfrentam desde o mês passado, quando o aumento de impostos sobre as exportações agropecuárias provocou protestos, bloqueio de estradas e panelaços nas principais cidades argentinas.

Os protestos foram os maiores contra o governo de Cristina Kirchner, que assumiu o poder em dezembro do ano passado.

No início de abril, depois de mais de 20 dias de protestos, os produtores anunciaram uma trégua de um mês.

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