Governo argentino chama o campo para negociação; abastecimento já é feito

Carlos Werd Buenos Aires, 3 abr (EFE).- O Governo argentino pediu hoje que seja estabelecida rapidamente uma mesa de negociações com o setor agropecuário enquanto, vagarosamente, se normaliza o abastecimento na maioria das cidades do país, depois que o setor declarou ontem uma trégua à greve comercial de 21 dias.

EFE |

Temos que conversar "rapidamente para ver como encontramos soluções. Não se deve esperar um minuto a mais", disse hoje o ministro do Interior, Florencio Randazzo.

Destacou que o Governo e as quatro entidades agropecuárias que declararam greve devem "olhar para frente" e começar a conversar sobre as reivindicações que têm a ver com o futuro do país, "como a forma de produzir mais leite, mais carne e mais trigo", em declarações a uma emissora local.

Assegurou que as compensações aos pequenos e médios produtores anunciadas na segunda-feira passada pela presidente Cristina Fernández de Kirchner "devem ser colocadas em funcionamento rapidamente para depois começar a discutir o resto das questões".

No entanto, Randazzo indicou que "uma exigência setorial não deve paralisar todo o resto da economia", como ocorreu com a greve do campo em rejeição ao aumento dos impostos às exportações de grãos.

A Igreja Católica convidou em um texto "todos os argentinos a se comprometerem ativamente na defesa e consolidação de uma paz social real e duradoura".

Com a trégua no campo, as vacas voltaram hoje a pisar no Mercado de Liniers (Buenos Aires), a maior praça de comércio bovino da Argentina, com o ingresso de 1.107 animais.

O empresário do setor frigorífico, Alberto Samid, declarou que esse mercado "voltou à tranqüilidade", e calculou que nesta sexta-feira ingressarão "entre 14 mil e 15 mil cabeças", antecipando que o Mercado de Liniers abrirá no próximo sábado ao terminar a normalização da situação.

Samid apelou à "inteligência" do Governo e do campo para achar soluções para todos os temas agrícolas, que "não são só a soja, mas também a carne e o leite", afirmou.

Nas últimas horas também se acelerou o processo de reabastecimento das principais cidades do país, com a chegada de milhares de caminhões com mercadorias que tinham ficado "encalhados" nas estradas por causa dos piquetes agrícolas durante a greve.

Segundo as principais empresas lácteas, a quantidade e variedade de produtos do setor, disponíveis nos supermercados, voltará a ser a habitual entre amanhã e sábado.

No caso da carne, para que a situação retorne à normalidade será necessário esperar até a próxima semana, segundo os diferentes setores da rede de comercialização.

Alberto Williams, vice-presidente da Associação de Proprietários de Açougues de Buenos Aires, disse que está "muito acelerado" o processo de fornecimento e opinou que os preços "irão se reacomodar com a sobre oferta".

As associações de consumidores reivindicaram hoje a intervenção do Governo contra a alta de preços, ao mesmo tempo em que consultoras privadas calculam que a inflação registrou uma alta entre 2,5% e 3% em março. EFE cw/bf/fb

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