Governo argentino analisa acordo para transmitir jogos de futebol

O governo argentino anunciou, nesta quinta-feira, que está analisando um possível acordo com a Associação de Futebol Argentino (AFA) para a transmissão das partidas e a comercialização dos jogos e dos produtos ligados ao esporte. A informação foi divulgada pelo ministro chefe da Casa Civil, Aníbal Fernández, após reunião com a (AFA).

BBC Brasil |

"Estamos discutindo uma forma de associação, exploração e comercialização desse produto fantástico para os argentinos, que é o futebol", disse Fernández.

O ministro disse que os representantes do governo e da AFA terão reuniões a partir desta sexta-feira para definir as bases do acordo e ressaltou que o Estado "não colocará um centavo" nesta parceria.

"O Estado não colocará nenhum centavo. (..) Seremos criativos para comercializar esse grande produto que é o futebol", disse.

Estado
O ministro rejeitou ainda que o acordo serviria para "estatizar" o futebol na Argentina.

"Não há interesse em estatizar, mas preservar essa paixão que interessa aos 40 milhões de argentinos. Essa é uma disciplina importantíssima para os argentinos e atrás disso existe uma indústria que gera recursos e trabalho", afirmou Fernández.

Ele disse que a ideia do acordo é atender não só os clubes da primeira divisão, mas os outros 4200 clubes das diferentes divisões do país e permitir que "todos os argentinos possam assistir às transmissões dos jogos".

As declarações do ministro foram feitas após uma reunião da presidente argentina, Cristina Kirchner, com o presidente da AFA, Julio Grondona, o secretário executivo da entidade, José Luis Meiszner, e representantes de clubes, como o Velez e Lanus.

'Fenômeno social'
Na entrevista à imprensa ao lado de Aníbal Fernández, Meiszner destacou que o setor precisa de 600 milhões de pesos por ano para se manter. Ele confirmou ainda que o campeonato nacional, que deveria começar nesta sexta, dia 14, iniciará no próximo dia 21.

Ele justificou a possível sociedade com o governo, dizendo que os recursos que a AFA recebia da sociedade com a empresa Televisão Satelital Codificada (TSC) não atendiam às exigências do contrato que estava em vigor - interrompido nesta semana pela AFA, quatro anos antes do final.

"No futebol argentino, os recursos que antes rendiam foram sendo substituídos. Aí apareceu a televisão, que durante muito tempo foi quase o único sustento do futebol, mas (esse acordo) foi também sofrendo deterioro e o futebol vale mais", disse.

Segundo ele, a AFA decidiu procurar o governo para explicar a situação dos clubes, com dívidas milionárias, o que teria impedido o início do campeonato na data prevista.

"A senhora presidente teve um critério de muita solidariedade com o fenômeno social, que é o futebol para a Argentina. Nós lhe dissemos que a administração e a qualidade do futebol podem melhorar com a busca de mais recursos", afirmou o representante da AFA.

Meiszner acrescentou que o campeonato começará antes mesmo da possível formalização deste acordo com o governo porque eles saíram do encontro com "boas expectativas" de um "bom acordo".

Apesar dos anúncios, Fernández e Meiszner não deram detalhes sobre quando o provável acordo poderá ser assinado ou onde buscarão recursos que substituiriam os cerca de 290 milhões de pesos anuais do acordo que estava em vigor com a TSC - representante das emissoras de TV a cabo, que tinham a exclusividade das transmissões.

A ideia do governo é permitir que o acesso seja livre e gratuito para os torcedores, como indicou o ex-presidente Nestor Kirchner, deputado eleito e marido da presidente.

"O futebol argentino deve ser gratuito e para todos, sem monopólios", afirmou.

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