Governo Argentino, agora, não aceita a demissão de Redrado

A crise institucional na Argentina prossegue aberta, apesar da demissão do titular do Banco Central, BCRA, Martín Redrado, em meio a um conflito com o governo pelo uso das reservas cambiais para o pagamento da dívida soberana - uma iniciativa dependente de um debate do Congresso que começará em março.

AFP |

"Para o governo, a renúncia não existe, não pode ser aceita porque foi convocada uma comissão (parlamentar) que deverá emitir seu julgamento", afirmou neste sábado o chefe de Gabinete, Aníbal Fernández.

A comissão do Congresso deve se pronunciar na terça-feira sobre a destituição ou não de Martín Redrado por "mal desempenho das funções" como quer o Executivo.

A decisão de levar o caso à consulta parlamentar foi tomada pelo governo, obrigado a dar marcha a ré, depois de Redrado ter solicitado a intervenção da justiça.

Segundo o senador Ernesto Sanz, da opositora União Cívica Radical (UCR, socialdemocrata) "o confronto com Redrado não era o tema principal deste caso, mas sim a questão dos uso das reservas cambiais - um assunto sobre o qual o Congresso deve se pronunciar".

"O governo tem que aceitar a renúncia, do contrário isso seria interpretado como um capricho, de quem quis, antes, afastá-lo por decreto", afirmou.

O então titular do BCRA chegou a criticar duramente o governo, ao qual acusou de "subjugar permanentemente as instituições" e de "pretender pôr as mãos nas reservas monetárias, que representam a economia de todos os argentinos".

Redrado havia posto em xeque o governo da presidente Cristina Kirchner ao negar-se a cumprir um decreto que ordenava a criação do chamado Fundo do Bicentanário, com 6,5 bilhões de dólares do Tesouro, para o pagamento da dívida soberana.

Kirchner tentou demiti-lo por decreto no dia 7 de janeiro passado, mas Redrado recorreu à justiça e foi devolvido ao cargo pela magistrada María José Sarmiento; depois, uma sentença ambígua de segunda instância, segundo juristas, não o confirmou no cargo. A justiça, no entanto, manteve o bloqueio à transferência das reservas ao governo.

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