Governo argentino acusa dirigentes rurais de serem opositores

Buenos Aires, 24 ago (EFE) - O Governo da Argentina acusou hoje os dirigentes agropecuários, com os quais mantém um conflito há cinco meses, de serem opositores e não quererem chegar a consensos para melhorar o setor rural.

EFE |

Em declarações publicadas hoje pela imprensa local, o secretário de Agricultura da Argentina, Carlos Cheppi, afirmou que os dirigentes do campo "têm projetos políticos vinculados à oposição, são opositores e não querem chegar a um acordo".

As quatro maiores patronais agropecuárias do país protagonizaram este sábado uma assembléia com cerca de cinco mil produtores, na qual renovaram suas reivindicações ao Governo e asseguraram que, apesar de terem retomado o diálogo, o Executivo não atendeu a nenhum dos pedidos urgentes do setor.

Cheppi disse em uma entrevista ao jornal "Página/12", de Buenos Aires, que é difícil negociar com os dirigentes rurais, pois, segundo ele, "uma parte dos dirigentes hoje está colocando problemas muito associados a seus interesses políticos e às vezes até a questões internas de suas próprias associações".

Outros jornais argentinos revelam hoje as pesquisas dos partidos da oposição para lançar os dirigentes agropecuários como possíveis candidatos para as eleições legislativas do próximo ano na Argentina.

Segundo Cheppi, os dirigentes rurais "deixam de representar o campo para dar prioridade a seu projeto político", apesar de, por enquanto, nenhum dos líderes agropecuários ter anunciado possuir aspirações eleitorais.

O conflito entre o campo e o Governo teve início em 11 de março, quando o Governo emitiu uma resolução que tornou obrigatórios impostos móveis sobre as exportações de trigo, girassol, soja e milho.

A rejeição ao esquema tributário resultou em quatro greves que impediam a comercialização de grãos, bloqueios de estradas e desabastecimento de alimentos e insumos para a indústria, que causaram perdas milionárias ao país.

Pressionada pelo conflito, a presidente Cristina Fernández de Kirchner resolveu enviar ao Parlamento um projeto de lei para validar o polêmico esquema tributário, mas a iniciativa sofreu um duro revés em 15 de julho e acabou sendo rejeitada no Senado, com o voto contrário do vice-presidente do país, Julio Cobos.

Essa derrota acabou por resultar na saída do chefe de gabinete, Alberto Fernández, do Governo, e na decisão da presidente de anular os impostos móveis às exportações de grãos.

A Argentina é o maior exportador mundial de girassol, o segundo de milho, o terceiro de soja e o quarto de trigo, e ocupa também postos de relevância no comércio global de derivados destes grãos.

EFE nk/ab/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG