Governo anunciado por Putin confirma política de continuísmo na Rússia

Bernardo Suárez Indart Moscou, 12 mai (EFE).- O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, apresentou hoje a composição do novo Gabinete de Ministros, com poucas caras novas e muitos velhos conhecidos, o que confirma a anunciada política de continuísmo apesar da recente mudança no comando do Kremlin.

EFE |

Putin, ratificado como primeiro-ministro praticamente por aclamação na quinta-feira passada, não precisou usar os sete dias que a Constituição lhe confere para apresentar a estrutura e a composição do novo Gabinete ao novo presidente e seu sucessor como chefe de Estado, Dmitri Medvedev.

Pela primeira vez, em oito anos, Putin foi ao Kremlin como visitante, mas esse fato não o impediu de ocupar, talvez por costume, a mesma cadeira na qual se sentava quando - como presidente da Rússia - recebia os chefes de Governo e ministros, incluindo o próprio Medvedev.

O Gabinete de Putin será integrado por dois primeiros Vice-primeiros ministros: Victor Zubkov, ex-primeiro-ministro, e Igor Shuvalov, até na semana passada ajudante do chefe do Kremlin.

Embora a permanência de Zubkov no Governo, cuja chefia exerceu durante oito meses, era previsível e estava nos comentários dos analistas locais, o que muito poucos esperavam era a ascensão de Shuvalov, de 41 anos.

A direção do Governo inclui cinco vice-primeiros ministros: Aleksandr Zhukov, Serguei Ivánov (ambos continuam) Igor Sechin, Serguei Sobianin (ambos provenientes do Gabinete da Presidência) e Alexei Kudrin, que também se mantém como titular de Finanças.

O ministro de Assuntos Exteriores, Serguei Lavrov; Defesa, Anatoli Serdiukov; Interior, Rashid Nurgalíev; Desenvolvimento Regional, Dmitri Kozak; Saúde, Tatiana Gólikova; Educação, Andrei Fursenko; Economia, Elvira Nabiúllina, e Recursos Naturais, Yuri Trutnev, conservaram os cargos que possuíam no Gabinete anterior.

Também se manteve no cargo o titular do Ministério para Situações de Emergência, Serguei Shoigú, o ministro mais antigo na história da Rússia pós-soviética, que ocupa a chefia dessa pasta desde sua fundação, em 1994.

O Ministério de Indústria e Energia foi divido em duas pastas: Indústria, que ficou nas mãos de Serguei Shmatkó, nova figura no Executivo, e Energia, que passou a cargo de Viktor Khristenko, anterior ministro da Indústria e Energia.

Entre os novos ministros se encontram o de Comunicação e Tecnologias da Informação, Ígor Schógolev, e o de Esportes, Juventude e Turismo, pasta recentemente criada, Vitali Mutkó, até agora presidente da União de Futebol da Rússia, e o de Cultura, Aleksandr Avdéyev, até agora embaixador em Paris.

Perdeu seu posto o ministro da Justiça, Vladimir Ustinov, que foi substituído por Aleksandr Konovalov, outro novato.

"Temos pela frente um grande trabalho: todos temos claro o que é preciso fazer. São muitas as tarefas", disse Medvedev, citado pela agência "Interfax", em reunião com os membros do novo Gabinete, para os quais desejou êxito.

O presidente da Rússia também começou a semana com nomeações de grande importância: designou Serguei Narishkin, ex-vice-primeiro-ministro, à frente do Gabinete da Presidência e Aleksandr Bórtnikov como diretor do Serviço Federal de Segurança (FSB, antigo KGB).

Bortnikov, de 56 anos, ocupou anteriormente os cargos de diretor do FSB para São Petersburgo e para a região de Leningrado e, desde 2004, o de diretor-adjunto do FSB.

Substitui no cargo Nikolai Patrushev, que foi diretor do FSB desde 1999 e que hoje foi nomeado por Medvedev secretário do Conselho de Segurança da Rússia.

"A estrutura e a composição pessoal do Governo mostram, por um lado, que se garante a continuidade do trabalho do Executivo e, por outro, que houve uma importante renovação", disse o presidente da Duma ou Câmara dos Deputados, Boris Grizlov, ao comentar o anúncio de Putin. EFE bsi/fb

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